A nova edição do Ranking da Transparência Administrativa, divulgada pelo Laboratório de Governo (LabGov) da Faculdade de Direito da USP, nesta terça-feira (16), trouxe más notícias para o Acre. Rio Branco, capital do estado, apareceu na última colocação entre todas as outras no Brasil, com apenas 58,58% dos critérios atendidos. O resultado acendeu um alerta sobre a fragilidade da política de transparência local e a dificuldade da população em acompanhar de forma clara e acessível os gastos públicos.
O estudo, avaliou os portais da transparência dos executivos federal, estaduais e das capitais, considerando o 2º semestre de 2023 e o 1º de 2024. Ao todo, foram analisados critérios como clareza das informações, design e usabilidade dos sites, além da disponibilização de dados detalhados sobre despesas em áreas sensíveis como saúde, educação e previdência. No caso de Rio Branco, além da pontuação baixa, o levantamento apontou que a cidade foi a que mais perdeu pontos em comparação com a edição anterior.
Entre os problemas diagnosticados estão a dificuldade de navegação e a ausência de informações específicas que permitam à sociedade compreender de forma prática e intuitiva como o dinheiro público está sendo gasto. Para especialistas, essa limitação compromete a fiscalização cidadã e cria obstáculos para o exercício do controle social. “Não basta disponibilizar dados; é preciso que sejam acessíveis, organizados e úteis para a população”, destacam os pesquisadores do LabGov.
Paraná, Porto Alegre e Cuiabá aparecem como exemplos positivos
O cenário do Acre contrasta com exemplos positivos de outros estados e capitais. O Paraná, por exemplo, manteve a liderança nacional ao atender 95,83% dos critérios, consolidando uma política de transparência reconhecida como referência. Porto Alegre (95,59%) e Cuiabá (93,63%) também figuraram entre as primeiras colocações, mostrando que avanços são possíveis quando há engajamento político e investimento em ferramentas digitais eficazes.
No caso do Acre e de sua capital, os dados reforçam a urgência de modernizar as ferramentas de transparência, tornando-as mais responsivas, objetivas e acessíveis à população.