O Greenpeace Brasil identificou 543 dragas operando em garimpo ilegal no rio Madeira. O flagrante ocorreu durante um sobrevoo de quatro horas realizado entre Porto Velho (RO) e Novo Aripuanã (AM).
As imagens mostram centenas de embarcações alinhadas ao longo do leito do rio, muitas delas próximas a terras indígenas e unidades de conservação.
A ação faz parte de um monitoramento iniciado em janeiro, que combina imagens de satélite e vistorias aéreas.
Dragas ameaçam meio ambiente e populações ribeirinhas
Segundo o Greenpeace, o garimpo ilegal no rio Madeira tem gerado graves impactos ambientais e sociais.
Em um dos pontos analisados, a equipe encontrou 48 dragas agrupadas, formando um paredão que dificulta a navegação segura de outras embarcações.
De acordo com a organização, o problema vai além do dano ecológico. O chamado ‘sonho dourado’ tira jovens da escola e afasta famílias do extrativismo e da agricultura familiar.
Ações de repressão ainda são pontuais
De acordo com a Polícia Federal, entre julho de 2024 e julho de 2025, foram realizadas quatro operações de combate ao garimpo ilegal no rio Madeira, que resultaram na inutilização de 109 dragas.
Apesar disso, o número atual de embarcações flagradas mostra que a atividade segue crescendo.
Após o mapeamento, o Greenpeace Brasil anunciou que formalizará uma denúncia às autoridades para cobrar providências mais eficazes e contínuas contra o garimpo ilegal na região.
Navegação em risco e futuro incerto
Além da destruição ambiental e da ameaça às comunidades tradicionais, a presença maciça de dragas compromete a segurança do transporte fluvial, vital para o deslocamento e o abastecimento de várias localidades amazônicas.
Portanto, ambientalistas reforçam o apelo por ações mais rigorosas e articuladas entre os governos estaduais, federais e órgãos de fiscalização ambiental.