Criança morre queimada em ‘ritual para acabar com tosse persistente’, e mãe, avós e tia são presos em MG

Família acreditava que ritual de cura com guia espiritual trataria tosse persistente da criança, mas acabou resultando em sua morte por queimaduras.
Redação Portal Norte

Uma tosse persistente na menina Maria Fernanda de Camargo, de 5 anos, fez com que a mãe, tia e avós maternos dela procurassem um suposto guia espiritual para realizar um ritual no dia 24 de março, na cidade de Frutal, em Minas Gerais.

O procedimento terminou com a criança morta após ter 100% do corpo queimado.

Quatro familiares de Maria Fernanda e o suposto guia espiritual estão presos. Eles dizem que a morte dela foi um acidente.

A Polícia Civil de Minas trata o caso como homicídio doloso, e a reconstituição do crime deve ocorrer nos próximos dias.

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Ritual

Nos depoimentos feitos à polícia, parentes da garota disseram que após sintomas de gripe, ela enfretava uma tosse que persistia mesmo após tratamento médico.

A avó da criança, que é da umbanda, sugeriu que a neta passasse por um ritual de cura.

O advogado de defesa da família disse ao UOL que não existe nada relacionado a ritual macabro.

“No ano passado, os tios da Maria Fernanda tiveram Covid-19, foram internados e entubados. A família chamou o guia espiritual e após um ritual eles tiveram uma melhora na saúde. Eles acreditam na religião, por isso tiveram essa iniciativa com a criança”, disse o advogado José Rodrigo Almeida.

O procedimento foi realizado na casa dos avós da criança. A informação é de que o suposto guia espiritual utilizou álcool com ervas medicinais que a avó da criança tinha em casa para benzer a menina.

O produto foi colocado nos cabelos, ombros, mãos e pés de Maria Fernanda.

Em determinado momento, ao passar uma vela perto do corpo da menina, o fogo acabou se espalhando.

“Foi tudo muito rápido. A família não sabe precisar em qual parte do corpo da criança as chamas começaram a surgir. Foram momentos de desespero. Ao verem a menina em chamas, eles tentaram apagar o fogo e também tiveram queimaduras”, afirma o advogado.

As chamas foram apagadas com tapetes. Maria Fernanda foi levada ao hospital da cidade e, com medo, os parentes contaram versão diferente sobre o ocorrido e relataram que a menina havia se queimado em um acidente com uma churrasqueira.

“A gente sabe que há preconceito contra a religião e no momento de desespero eles erraram ao não contarem a verdade. A história da churrasqueira surgiu porque uma prima da criança sofreu um acidente dessa maneira há alguns anos e eles recordaram o fato”, justificou a defesa.

Maria Fernanda morreu na manhã do dia seguinte, horas depois de ser transferida para um Hospital de São José do Rio Preto, cidade a 112 Km de Frutal.

“Ninguém queria matar a criança, foi um acidente. A família está sofrendo com a perda, foi um deslize, mas nunca houve intenção”, defende o advogado.

 

Prisões

Um pedido de prisão domiciliar para o avô da criança, que tem 71 anos, deve ser protocolado ainda nesta quarta-feria, 27.

O advogado diz que o idoso tem diabetes e hipertensão.

A mãe, a avó e a tia da menina seguem presas em uma cadeia feminina de Uberlândia.

O suposto guia religioso está em uma cadeia na mesma região.

Foto: Divulgação / Polícia Civil MG – Um dos presos em viatura da polícia

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