O Brasil fechou o ano de 2025 com o maior número de feminicídios desde o início da série histórica, escancarando a persistência da violência contra mulheres em todo o país.
Levantamento oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que, ao longo do ano, a média foi de quatro mulheres assassinadas por dia, cenário que reforça a gravidade do problema e a dificuldade de conter esse tipo de crime.
Mais de 1,4 mil mulheres foram vítimas de feminicídio em um ano
Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que 1.470 mulheres perderam a vida em crimes enquadrados como feminicídio em 2025. O número supera o total registrado em 2024, que já havia alcançado o pior resultado até então.
Mesmo com a alta nos registros absolutos, a taxa nacional se manteve em 0,69 morte por 100 mil habitantes, índice que permanece praticamente inalterado desde 2022, indicando um patamar elevado e persistente da violência de gênero.
Estados mais populosos lideram em números absolutos
Os casos se concentraram, principalmente, nos estados com maior densidade populacional. São Paulo apareceu no topo do ranking nacional, com 233 ocorrências, seguido por Minas Gerais, que contabilizou 139 feminicídios ao longo do ano.
Os registros ocorreram de forma contínua, mas apresentaram picos nos meses de abril, outubro e novembro, segundo a consolidação dos dados oficiais.
Recorde se repete após números elevados em 2024
Em 2024, o país já havia encerrado o ano com 1.464 feminicídios, valor muito próximo ao registrado em 2025. Naquele período, São Paulo também liderou em números absolutos, com 253 casos, enquanto Minas Gerais somou 133 ocorrências.
Os meses de novembro e dezembro concentraram os resultados mais críticos naquele ano, padrão que se repete ao longo da série histórica.
Média diária elevada persiste há mais de cinco anos
A média de quatro mulheres assassinadas por dia não é recente. Desde 2019, o Brasil vem registrando esse patamar de violência, quando foram contabilizados 1.328 feminicídios.
Antes disso, em 2017 e 2018, a média diária era de três vítimas. O menor número da série foi registrado em 2015, com 535 casos.
Desde o início do monitoramento nacional, há uma década, 13.448 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio no país. Os estados com maior volume acumulado de registros são São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
Meses críticos se repetem ao longo dos anos
O levantamento também revela que setembro e dezembro aparecem de forma recorrente entre os meses com maior número de feminicídios, evidenciando períodos críticos que exigem atenção redobrada do poder público.
Os dados reforçam a necessidade de políticas permanentes de prevenção, proteção às vítimas e combate efetivo à violência doméstica e de gênero.