O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou nesta quarta-feira (21) que o Congresso Nacional deve votar ainda neste semestre o projeto que prevê o fim da escala 6×1.
Ao programa Bom Dia, Ministro, Boulos disse que ele e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, trataram do tema com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), na semana passada.
“Está avançando muito bem os diálogos com setores do Congresso. Eu estive com o presidente Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro Marinho, fizemos uma conversa com ele tanto sobre o fim do 6×1. (…) Há um avanço na discussão para que a gente vote, ainda nesse semestre, pelo fim da escala 6×1 e consiga dar essa resposta para os trabalhadores”, afirmou.
Boulos também criticou aqueles que se posicionam contra a redução da jornada de trabalho. “É muita gente que fica defendendo escala 6×1 para os outros, mas está lá no jantar com caviar e champanhe. Muita gente que fica falando que tem que trabalhar, mas nunca trabalhou na vida, que é herdeiro”, disse.
Uma das principais linhas de defesa da proposta é que a mudança não resulte em redução salarial. O governo também pretende assegurar ao menos dois dias de descanso por semana e limitar a jornada a, no máximo, 40 horas semanais.
Atualmente, a escala é de seis dias de trabalho, totalizando 44 horas semanais, com apenas um dia de folga. O setor produtivo critica a redução da jornada e argumenta que a medida pode trazer prejuízos, especialmente para o segmento de serviços.

Tratada como pauta prioritária pelo governo, o fim da escala 6×1 está em análise na Câmara dos Deputados e no Senado e deve ganhar impulso com a retomada dos trabalhos do Congresso, prevista para a próxima semana. A base aliada ainda avalia qual proposta e em qual Casa tem maior chance de avançar nas negociações.
O tema também deve ser explorado na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar do apelo popular, a proposta enfrenta resistência de setores produtivos, que apontam possíveis impactos econômicos.
Atualmente, quatro propostas de emenda à Constituição sobre a escala 6×1 tramitam no Congresso. A mais antiga, apresentada em 2015, está no Senado e aguarda votação em plenário.
O texto foi aprovado na CCJ no fim do ano passado, com parecer do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que prevê uma transição gradual, ao longo dos próximos anos, até a jornada máxima de 36 horas semanais. A proposta original é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), historicamente ligado à pauta trabalhista.