Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antônio Silva, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não pode ser analisado como um ganho ou uma perda imediata para o polo industrial de Manaus.
Ele alerta que o tratado traz riscos, principalmente se a retirada de tarifas sobre produtos industrializados europeus acontecer de forma rápida e sem exceções.
Isso porque esse movimento pode eliminar o diferencial tributário que hoje compensa as dificuldades logísticas da região.
Por isso, o presidente defende uma transição desigual, com prazos maiores ou até exclusão de setores sensíveis, como eletroeletrônicos e duas rodas, para evitar uma concorrência desleal com a indústria europeia.
Ao mesmo tempo, ele destaca que o acordo pode ser usado como uma oportunidade.
A redução de custos na importação de máquinas e tecnologia da europa pode ajudar o polo a se modernizar, investir em indústria quatro ponto zero e ganhar produtividade.
Ele também afirma que outro ponto estratégico é a sustentabilidade.
Segundo Silva, a Europa valoriza produtos com rastreabilidade ambiental, o que abre espaço para a bioeconomia, fármacos e cosméticos de base florestal.
A avaliação é que, se o Amazonas conseguir industrializar sua biodiversidade dentro dos padrões ambientais europeus, o acordo pode se transformar em um caminho de desenvolvimento sustentável e de longo prazo para a região.