Gilmar Mendes rejeita habeas corpus e mantém Bolsonaro preso na Papudinha

Redação Portal Norte

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu não conhecer o habeas corpus que solicitava a conversão da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para prisão domiciliar. A decisão foi proferida nesta sexta-feira (16).

Bolsonaro está preso na chamada Papudinha, uma sala de Estado-Maior localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por envolvimento na tentativa de ruptura institucional.

Habeas corpus foi considerado inadmissível

Na avaliação de Gilmar Mendes, o pedido não atende aos requisitos legais. Um dos principais pontos destacados foi o fato de o habeas corpus não ter sido apresentado pela defesa técnica oficial do ex-presidente.

Além disso, o ministro ressaltou que não cabe habeas corpus contra decisões de ministros ou de órgãos colegiados da própria Corte, conforme previsão do Regimento Interno do STF.

A ação foi protocolada por Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, que não integra a equipe jurídica responsável pela defesa de Bolsonaro. Por esse motivo, o magistrado entendeu que a via escolhida era inadequada para análise do mérito.

Encaminhamento do caso e atuação de Moraes

O pedido havia sido inicialmente encaminhado à ministra Cármen Lúcia, seguindo critérios de prevenção previstos nas normas internas do Supremo. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, atual vice-presidente da Corte, determinou a remessa dos autos para análise de Gilmar Mendes.

O que pedia o habeas corpus

No requerimento, o autor solicitava duas medidas principais:

  • Avaliação do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre a estrutura de saúde da unidade prisional;
  • Autorização para que Bolsonaro cumprisse a pena em regime domiciliar, alegando necessidade de acompanhamento médico contínuo.

Bolsonaro está custodiado na Papudinha

O ex-presidente deixou a sede da Polícia Federal na quinta-feira (15) e passou a cumprir pena na Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, anexa à Papuda. A transferência foi determinada por Alexandre de Moraes.

O local é destinado a autoridades e pessoas com direito legal a esse tipo de custódia.

Regras impostas para a custódia

O STF autorizou uma série de condições específicas para a permanência de Bolsonaro no local, entre elas:

  • Atendimento médico integral, inclusive com profissionais particulares cadastrados;
  • Transferência imediata para hospitais em casos de emergência;
  • Sessões de fisioterapia;
  • Alimentação especial entregue por pessoa indicada pela defesa;
  • Visitas semanais de familiares;
  • Assistência religiosa;
  • Permissão para leitura e equipamentos de apoio físico.

O pedido para uso de Smart TV, no entanto, foi negado.

Estrutura da Papudinha

A Papudinha possui capacidade para até 60 custodiados e passou por reformas recentes. O espaço conta com alojamentos coletivos, banheiros, cozinha, lavanderia, área de convivência e consultórios médicos.

A fiscalização do cumprimento da pena é feita pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.