O ex-juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Samer Agi, criticou, nas redes sociais, o discurso do ator Wagner Moura após a vitória no Globo de Ouro.
Em uma série de publicações, Agi avaliou que o ator desperdiçou a visibilidade internacional do prêmio ao adotar um tom político que, segundo ele, contribuiu para ampliar divisões no país.
Para Agi, o reconhecimento artístico foi legítimo, mas o uso do palco deixou a desejar. “Wagner Moura vence o Globo de Ouro. Merecidamente. Então, o mérito lhe deu palco. Mas o palco não lhe deu sabedoria. E ele perdeu a oportunidade de unir o país”, afirmou.
Na avaliação do ex-magistrado, figuras públicas que recebem projeção internacional têm responsabilidade social. “Um ator, ao receber destaque, é responsável por ajudar o seu povo”, escreveu.
Segundo ele, no entanto, Moura optou por direcionar críticas a um personagem político já julgado pela Justiça, o que, em sua visão, não trouxe benefícios concretos à população.
Agi questionou os efeitos práticos do discurso. “Em que a fala do ator ajudou o brasileiro? Em nada. Ele só dividiu um povo já dividido”, declarou.

Apesar das críticas, o ex-juiz disse torcer para que Wagner Moura alcance novas conquistas, inclusive o Oscar, e sugeriu que o ator use futuras premiações para abordar temas sociais sensíveis.
Em uma das publicações, Agi propôs que o ator dedique um eventual discurso aos aposentados que, segundo ele, teriam sido prejudicados em escândalos ainda sob apuração.
“O fato ainda não foi julgado. Seu discurso pode jogar luz sobre o tema. E salvar muitos idosos tupiniquins”, escreveu.
Para o ex-juiz, uma manifestação pública em eventos de grande repercussão pode gerar impactos reais. “Talvez a CPMI deixe de acabar em pizza, os envolvidos sejam presos e o país se torne melhor”, afirmou.
Ele concluiu destacando que declarações desse porte podem ter efeitos decisivos: “um discurso pode mudar tudo. Ou nada”.