Um jovem iraniano de 26 anos corre o risco de ser enforcado nesta quarta-feira (14), tornando-se a primeira execução registrada desde o início da nova onda de protestos que se espalha pelo Irã.
O caso tem gerado alerta e mobilização de entidades internacionais de direitos humanos.
Identificado como Erfan Soltani, o jovem trabalhava no setor têxtil e havia começado recentemente em uma empresa privada.
Amigos e conhecidos o descrevem como uma pessoa reservada, com interesse por moda e atividades físicas, sem histórico de envolvimento com grupos armados ou ações violentas.
Prisão sem informações à família
Erfan foi preso na noite de 8 de janeiro, nas proximidades de sua residência, no distrito de Fardis, em Karaj, região metropolitana de Teerã. Após a detenção, a família passou três dias sem qualquer notícia sobre seu paradeiro, o que aumentou a apreensão e a tensão em torno do caso.
No domingo seguinte à prisão, agentes de segurança informaram que o jovem já estava condenado à pena de morte. Organizações independentes denunciam que Erfan não teve acesso a advogado, não foi formalmente acusado e tampouco passou por um julgamento transparente, contrariando princípios básicos do devido processo legal.
Acusação de “moharebeh”
A sentença teria como base a acusação de “moharebeh”, um termo jurídico-religioso usado pelo regime iraniano para classificar opositores como “inimigos de Deus”.
Esse enquadramento é frequentemente criticado por entidades internacionais por permitir a aplicação da pena capital em casos ligados a manifestações ou dissidência política.
Última visita da família
Os familiares receberam autorização para uma única visita, com duração de cerca de dez minutos.
Segundo relatos, agentes de segurança deixaram claro que o encontro deveria ser encarado como uma despedida, indicando que a execução pode ocorrer a qualquer momento.
Organizações de direitos humanos acompanham o caso e afirmam que a possível execução de Erfan Soltani pode marcar uma escalada na repressão do governo iraniano contra manifestantes e supostos opositores, em um momento de forte instabilidade política no país.