Superlotação expõe violação de direitos nos presídios do Amazonas, aponta CNJ

Redação Portal Norte

Os presídios de Manaus operam acima da capacidade recomendada, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O quadro mais crítico é o da Unidade Prisional do Puraquequara, que concentra 1.108 detentos em um espaço projetado para 621 vagas, o que representa uma taxa de ocupação de 167%. Desse total, 56% dos presos cumprem prisão preventiva.

O levantamento também mostra que o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) registra superlotação, com índice de 112%. A unidade, que comporta até 878 internos, abriga atualmente 989 presos.

🔎 A Lei de Execução Penal determina que os estabelecimentos prisionais devem respeitar seus limites de capacidade, assegurando condições dignas para o cumprimento das penas.

Para a advogada e integrante da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), Doracy Queiroz de Oliveira Neta, a situação das unidades prisionais no Amazonas revela uma grave violação aos direitos fundamentais garantidos em lei.

Segundo ela, a falta de condições mínimas de higiene, ventilação e assistência básica compromete não apenas a saúde física e mental dos detentos, como também desvirtua a própria finalidade da pena, que deveria ter como objetivo a reintegração social.

“A superlotação e a falta de condições mínimas nas unidades prisionais do Amazonas configuram uma afronta direta à dignidade da pessoa humana e ao cumprimento da Lei de Execução Penal. É urgente que o Estado assuma sua responsabilidade e garanta condições adequadas para que a pena cumpra sua função social”, destacou Doracy.

Perfil dos presos no Puraquequara

Escolaridade:
– 656 detentos têm ensino fundamental incompleto;
– 264 concluíram o ensino médio;
– 82 não finalizaram o ensino médio;
– 39 possuem ensino superior incompleto.

Raça:
– 911 se declaram pardos;
– 87 pretos;
– 67 brancos;
– 10 amarelos.

Origem:
– 54 presos são naturais de outros estados.

Ocorrências:
– Nos últimos seis meses, foram registradas duas mortes por suicídio, além de óbitos por causas naturais.

Outras unidades da capital

– CDP I (Centro de Detenção Provisória de Manaus): 1.271 presos para 766 vagas, o que representa taxa de ocupação de 165,9%. Desses, 66,2% estão em prisão preventiva.
– CDP II: 1.033 internos para 667 vagas (154,9%), com predominância de presos provisórios.
– CDP Feminino: 192 detentas em 198 vagas (97%). Do total, 51% estão em prisão preventiva. Três mulheres estão gestantes ou com filhos lactentes.
– Enfermaria Psiquiátrica de Manaus: 8 internos para 26 vagas, equivalente a 31% de ocupação.

Interior do Amazonas

No interior, o cenário também é de superlotação. Em Coari, a unidade abriga 168 presos para 116 vagas, quase 45% acima da capacidade, com maioria em prisão preventiva. Em Itacoatiara, a taxa de ocupação é de 103,5%, com 149 detentos para 144 vagas. Já em Tefé, a situação é mais grave: são 227 presos para 125 vagas, o que representa 181,6% da capacidade, considerando os regimes fechado, semiaberto e presos provisórios.

As delegacias do interior enfrentam quadro semelhante. A 78ª Delegacia de Codajás opera com 188% de ocupação, enquanto a 80ª Delegacia de Beruri mantém 22 presos em apenas 8 vagas, atingindo 275% da capacidade.

*Com informações de G1