A mais recente divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidencia que a riqueza produzida no Brasil segue fortemente concentrada em poucas regiões e municípios, enquanto estados como o Acre continuam distantes do centro das decisões econômicas do país.
De acordo com o levantamento do PIB dos Municípios 2022–2023, apenas 25 cidades foram responsáveis por 34,2% de toda a produção econômica nacional em 2023.
O dado reforça um cenário histórico em que grandes centros urbanos, especialmente do Sudeste, concentram a maior fatia do Produto Interno Bruto brasileiro.
São Paulo permanece como o principal motor da economia nacional, liderando com ampla vantagem. Ao lado do Rio de Janeiro e de Brasília, a capital paulista forma um trio que, sozinho, responde por quase 17% de toda a riqueza gerada no país.
Capitais e grandes cidades industrializadas dominam o ranking, mantendo uma tendência observada desde o início da série histórica do IBGE, em 2002.
Mesmo com a ampliação da participação das capitais no PIB, que passou de 27,5% em 2022 para 28,3% em 2023, o nível ainda não alcança o patamar registrado antes da pandemia.
O estudo analisou dados de 5.570 municípios, mostrando que a retomada econômica ocorreu de forma desigual entre as regiões.
No Norte do Brasil, a presença entre os maiores PIBs municipais é bastante limitada. Manaus aparece como exceção, impulsionada pela Zona Franca, mas nenhum município acreano figura entre os 25 maiores do país.
O Acre, assim como outros estados da região, segue com participação modesta na economia nacional, reflexo de uma estrutura produtiva pouco diversificada e fortemente dependente do setor público e do comércio local.
Economistas destacam que fatores como infraestrutura deficiente, distância dos grandes mercados consumidores, baixo nível de industrialização e dificuldades logísticas impactam diretamente o desempenho econômico acreano.
Apesar disso, o estado possui potencial estratégico em áreas como bioeconomia, produtos florestais, agricultura sustentável e cadeias produtivas ligadas à preservação ambiental.
O retrato traçado pelo IBGE reforça o desafio de reduzir a concentração de renda e estimular o desenvolvimento regional.
Veja os 25 maiores municípios do Brasil em relação ao PIB (2023):
- São Paulo (SP) – R$ 1.066.825.105 mil (9,75%);
- Rio de Janeiro (RJ) – R$ 418.462.360 mil (3,82%);
- Brasília (DF) – R$ 365.669.108 mil (3,34%);
- Maricá (RJ) – R$ 134.092.034 mil (1,23%);
- Belo Horizonte (MG) – R$ 130.197.671 mil (1,19%);
- Manaus (AM) – R$ 127.649.795 mil (1,17%);
- Curitiba (PR) – R$ 120.065.276 mil (1,10%);
- Osasco (SP) – R$ 119.404.053 mil (1,09%);
- Porto Alegre (RS) – R$ 104.743.272 mil (0,96%);
- Guarulhos (SP) – R$ 97.557.674 mil (0,89%);
- Campinas (SP) – R$ 91.968.328 mil (0,84%);
- Fortaleza (CE) – R$ 86.939.832 mil (0,79%);
- Salvador (BA) – R$ 76.698.777 mil (0,70%);
- Niterói (RJ) – R$ 76.268.005 mil (0,70%);
- Goiânia (GO) – R$ 75.780.846 mil (0,69%);
- São Bernardo do Campo (SP) – R$ 71.965.791 mil (0,66%);
- Barueri (SP) – R$ 71.646.710 mil (0,65%);
- Duque de Caxias (RJ) – R$ 70.068.007 mil (0,64%);
- Paulínia (SP) – R$ 67.067.300 mil (0,61%);
- Recife (PE) – R$ 66.351.305 mil (0,61%);
- Jundiaí (SP) – R$ 65.418.378 mil (0,60%);
- Saquarema (RJ) – R$ 64.701.140 mil (0,59%);
- São José dos Campos (SP) – R$ 61.394.524 mil (0,56%);
- Sorocaba (SP) – R$ 58.816.286 mil (0,54%);
- Betim (MG) – R$ 52.614.325 mil (0,48%