MP-AM denuncia jovens por racha que matou duas pessoas na Avenida do Turismo, em Manaus

Redação Portal Norte

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) ofereceu denúncia contra Renan Maciel da Silva e Luís Gustavo Silva Lima, apontados como responsáveis por um grave acidente de trânsito ocorrido durante um racha em via pública, na zona oeste de Manaus. A colisão resultou na morte de duas pessoas e deixou outras quatro feridas.

O caso aconteceu na noite de 16 de novembro, na Avenida do Turismo, uma das vias de maior fluxo da capital amazonense.

Corrida clandestina em alta velocidade

Segundo a denúncia, os acusados disputavam uma corrida ilegal a velocidade superior a 120 km/h, em um trecho onde o limite permitido é de 60 km/h. Para o MP, os dois assumiram conscientemente o risco de provocar um resultado fatal, o que caracteriza o crime de homicídio com dolo eventual.

A Promotoria sustenta que a conduta extrapolou qualquer imprudência comum no trânsito, colocando em risco direto a vida de terceiros.

Colisão causou mortes e deixou feridos

De acordo com a investigação, a caminhonete Volkswagen Amarok, conduzida por Luís Gustavo, e o VW Polo, dirigido por Renan Maciel, atingiram um Fiat Siena que trafegava regularmente pela avenida.

Com o impacto, o Siena capotou, resultando na morte do motorista Odorico Manoel Freitas D’Ávila Filho. Em seguida, os veículos envolvidos no racha colidiram entre si, provocando o capotamento do Polo e a morte da jovem Yasmin Ferreira de Oliveira, que foi arremessada para fora do carro.

Vítimas não tiveram chance de defesa, diz MP

O Ministério Público destacou que as vítimas fatais e os sobreviventes não tiveram qualquer possibilidade de reação, o que fundamenta a qualificadora de recurso que dificultou a defesa.

A denúncia também aponta motivo torpe, caracterizado pela busca de satisfação pessoal e exibicionismo dos acusados ao participarem da corrida clandestina, colocando a coletividade em perigo.

Irregularidades agravaram a acusação

O MP revelou ainda que Renan Maciel teria consumido bebida alcoólica antes do acidente, recusou-se a fazer o teste do bafômetro e dirigia com a Carteira Nacional de Habilitação vencida. A Promotoria também aponta que ele costumava participar de rachas e ostentava esse tipo de prática em redes sociais.

Luís Gustavo, apesar de não apresentar resultado positivo para álcool, também estava com a CNH vencida no momento do ocorrido.

Denúncia inclui homicídios e tentativas de homicídio

Com base nas provas reunidas, o Ministério Público denunciou os dois por dois homicídios qualificados consumados e quatro tentativas de homicídio, em concurso de pessoas e concurso formal.

A Promotoria solicitou que os acusados sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri e pediu a fixação de indenização mínima de R$ 50 mil para cada vítima, a ser paga individualmente por cada réu.

MP defende manutenção da prisão preventiva

Em manifestação complementar, o MP-AM reforçou a necessidade de manter a prisão preventiva dos acusados, citando a gravidade do crime, o risco à ordem pública e o aumento expressivo de mortes no trânsito em Manaus.

Segundo dados apresentados, 67 pessoas já morreram em acidentes de trânsito na capital apenas em 2025, número considerado alarmante pelas autoridades.

Processo segue na Justiça

O caso tramita na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus. A defesa dos acusados afirma que não houve intenção de matar e aguarda os próximos atos processuais.

O processo entra agora na fase de instrução, quando testemunhas serão ouvidas antes da decisão que pode levar os réus a julgamento pelo júri popular.

Com informações do Imediato*