O Partido dos Trabalhadores do Acre (PT/AC) adotou um tom duro e polêmico ao se manifestar sobre o julgamento do governador Gladson Cameli no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em nota divulgada nesta quinta-feira (18), a legenda afirma que o estado atravessa uma “grave situação institucional” e classifica o momento como “um episódio triste para o povo acreano”, que aprofunda a instabilidade política, econômica e social.
No texto, o partido destaca o caráter inédito do julgamento, ressaltando que, “pela primeira vez na história do Acre, um governador em exercício torna-se réu e é julgado, em instância superior, por crimes de extrema gravidade”, o que, segundo a sigla, evidencia a dimensão alarmante do caso.
O PT também rebate argumentos de defesa do governador ao afirmar que o julgamento no STJ não é impactado por habeas corpus em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a nota, a ministra relatora Nancy Andrighi foi “categórica ao afirmar que o julgamento dos crimes imputados ao governador não é afetado” pelas discussões envolvendo relatórios financeiros do Coaf.
O partido sustenta que há “provas robustas, autônomas e desvinculadas” desses relatórios, incluindo auditorias da Controladoria-Geral da União, mensagens, contratos assinados e operações financeiras consideradas ilícitas.
Em um dos trechos mais contundentes, a legenda afirma que a ministra concluiu pela condenação do governador a 25 anos e 9 meses de prisão, além da perda do cargo, por considerá-lo “líder de uma organização criminosa que saqueou os cofres públicos do Estado do Acre”.
O texto ainda menciona que o voto defende o afastamento imediato do chefe do Executivo, medida que pode ser analisada pela Corte Especial do STJ após o recesso do Judiciário.
O PT ressalta ainda que as investigações tiveram início durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Gladson Cameli, o que, segundo a nota, “afasta qualquer tentativa de atribuir motivação político-partidária às investigações” e reforça o caráter técnico do trabalho da Polícia Federal e dos órgãos de controle.
Ao final, o partido afirma que o julgamento “revela, de forma dolorosa, o que de fato ocorreu no Acre nos últimos anos”, apontando reflexos como precarização da saúde, dificuldades na educação e aumento da violência.
A sigla conclui defendendo que o Estado “precisa virar essa página, reconstruir a confiança nas instituições e retomar um projeto de desenvolvimento que coloque as pessoas em primeiro lugar”, afirmando esperar que “a justiça seja feita”.