O deputado estadual Coronel Chagas (Republicanos) afirmou que vai enviar um comunicado ao presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), soldado Sampaio (Republicanos) e também à Polícia Federal (PF) a respeito de uma abordagem realizada por dois policiais federais em uma reunião fechada, no escritório do parlamentar.
Em vídeo publicado nas redes sociais, nesta terça-feira (16), o parlamentar afirma que a ação de dois agentes da PF foi “uma clara tentativa de intimidação”.
Segundo Coronel Chagas, o escritório dele foi “invadido” pelos agentes da Polícia Federal, no momento em que ele estava reunido com amigos e apoiadores para “desejar feliz natal”. O deputado disse que a reunião tinha como objetivo agradecer às orações feitas ao irmão dele, Joner Chagas, ex-prefeito de Bonfim, que foi preso em uma operação da PF, no dia 27 de novembro.
A investigação da Operação Déjà Vu, que teve como alvo Joner Chagas, revelou que os valores apreendidos estariam ligados a uma construtora (considerada de fachada), que desde 2020 firmou contratos de mais de R$ 50 milhões, mas sem estrutura compatível para executar as obras.
Entre os contratos analisados pela PF está um de R$ 8,3 milhões, financiado por recursos classificados como “Transferência Especial”, que, segundo o documento, dificulta o rastreio detalhado da aplicação do dinheiro público.
Durante pesquisa por informações adicionais sobre as obras, os investigadores descobriram que parte do financiamento dos serviços veio de uma emenda parlamentar apresentada pelo deputado estadual Coronel Chagas (Republicanos).
Joner Chagas é investigado por suspeita de integrar um esquema de fraudes em licitações e desvio de mais de R$ 40 milhões destinados à manutenção de estradas vicinais no interior do estado. No vídeo em que critica a abordagem da Polícia Federal, Coronel Chagas diz que a prisão do irmão foi “injusta”.
“Dois agentes da PF entraram no local, sem apresentar ordem judicial, sem justificar a razão dessa ação. Simplesmente invadiram a reunião e começaram a filmar as pessoas presentes. Vou comunicar o fato à presidência da Assembleia Legislativa, além da própria Polícia Federal, solicitando esclarecimentos, e apresentação de qualquer mandado que possa justificar essa invasão ao meu escritório”, disse o deputado estadual.
A reportagem entrou em contato com Polícia Federal para obter a confirmação da abordagem e questionou se a intervenção no escritório do deputado ocorre no âmbito de alguma operação. A corporação também foi indagada sobre a ausência de ordem judicial. Mas, por meio da assessoria, a PF disse que ainda não vai se pronunciar sobre esse assunto.
Posicionamento
A reportagem entrou em contato com a assessoria do parlamentar, solicitando esclarecimentos. Mesmo com a repercussão do caso e com questionamentos de várias esferas da sociedade roraimense, a assessoria do Coronel Chagas disse: “O que ele tinha para falar sobre o assunto já está no vídeo. Obrigada”.