O tacacá pode ser venenoso? Vídeo de acreana repercute nas redes

Redação Portal Norte

Um vídeo da acreana Alicia de Paula viralizou nas redes sociais após a jovem afirmar que o tacacá, prato típico da Região Norte do Brasil, pode se tornar venenoso se não for preparado corretamente.

A declaração foi feita durante sua participação no quadro “Me Conte uma Curiosidade”, do influenciador André Amorim, e rapidamente despertou curiosidade, surpresa e debate entre internautas.

Nas imagens, Alicia explica detalhes do preparo do alimento, muito consumido no Acre e em outros estados do Norte, e faz um alerta sobre um de seus principais ingredientes.

“Eu venho do Acre e lá temos uma comida muito típica que se chama tacacá. E aí nele vai o tucupi, que é um caldo feito de mandioca, que se não for cozido direito a gente pode morrer de intoxicação”, afirmou.

A reação do entrevistador é imediata. Surpreso, André Amorim demonstra espanto com a informação e incentiva a jovem a explicar melhor a curiosidade, o que aumenta ainda mais o interesse do público.

Além do tucupi, Alicia também chama atenção para outro ingrediente tradicional do prato: o jambú, erva conhecida por causar sensação de dormência na boca.

“A erva deixa sua boca super dormente e junto com o tucupi, são estimulantes que juntos fazem as pessoas ficarem com muito calor e consequentemente elas ficam excitadas”, revelou.

Segundo ela, o efeito pode ir além da boca, atingindo outras mucosas do corpo e provocando “tremores”, o que levou a jovem a classificar o prato como afrodisíaco, afirmação que gerou ainda mais repercussão nas redes.

O que dizem os especialistas

Especialistas explicam que o tacacá não é inerentemente venenoso, mas exige cuidados rigorosos no preparo. O tucupi, extraído da mandioca brava, contém cianeto, uma substância tóxica que só é eliminada após fervura prolongada.

Quando esse processo não é feito corretamente, o consumo pode causar intoxicação, com sintomas como tontura, náuseas e mal-estar.

Além disso, o uso excessivo de glutamato monossódico (GMS), comum em alguns temperos industrializados, pode provocar reações como formigamento, dores de cabeça e desconforto, semelhantes à chamada “Síndrome do Restaurante Chinês”.

Apesar das declarações impactantes, especialistas reforçam que, quando preparado de forma tradicional e segura, o tacacá é totalmente seguro e faz parte da rica cultura gastronômica da Região Norte, sendo consumido diariamente por milhares de pessoas.

“Ferver o tucupi é essencial para eliminar o ácido cianídrico, substância tóxica presente naturalmente na mandioca brava. A fervura adequada garante a segurança alimentar, preserva a tradição culinária amazônica e permite que o tucupi seja consumido sem riscos à saúde”, disse a chefe da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Universidade Federal do Acre (Ufac), professora Almecina Balbino Ferreira.

Casos de intoxicação

O tucupi é um ingrediente tradicional da culinária amazônica e, quando preparado corretamente, é seguro para o consumo.

O processo adequado envolve duas etapas fundamentais: a fermentação, na qual o líquido extraído da mandioca brava deve descansar por cerca de 24 horas, e a cocção, quando é fervido por um período prolongado, geralmente de 40 minutos ou mais.

Essa fervura é essencial, pois permite a volatilização e eliminação do ácido cianídrico, substância tóxica naturalmente presente na mandioca brava.

Os casos de intoxicação associados ao tucupi ou à mandioca estão, em sua maioria, ligados a erros no consumo ou no preparo.

Situações de consumo acidental ocorrem quando pessoas ingerem mandioca brava crua ou mal processada, confundindo-a com a mandioca mansa, própria para o consumo direto.

Além disso, falhas no processo tradicional, como tempo insuficiente de fermentação ou cozimento inadequado, podem resultar na permanência de resíduos tóxicos no alimento.

Um exemplo desse risco ocorreu em 2018, quando uma menina foi internada em estado grave no Pará após consumir mandioca de forma acidental.

O potencial de intoxicação é tão reconhecido que, em uma decisão inicial considerada polêmica, organizadores da COP30 chegaram a proibir o tucupi e outros alimentos típicos do Pará, temendo riscos à saúde dos participantes.

A medida, no entanto, foi posteriormente revista após garantias de que os alimentos seriam preparados com segurança, seguindo rigorosos padrões de higiene e os métodos tradicionais corretos.

O vídeo, que mistura curiosidade, cultura e surpresa, segue repercutindo e reacendendo discussões sobre os saberes tradicionais e os cuidados necessários no preparo de alimentos típicos brasileiros.

Veja o vídeo de André Amorim: