Líder do MBL sugere transformar o Acre em território federal e provoca reação de senador

Redação Portal Norte

As declarações do pré-candidato à Presidência da República e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos, provocaram forte repercussão política no Acre neste fim de semana.

Durante participação em um podcast, ele afirmou que, caso eleito, poderia defender a volta do estado à condição de território federal, se considerasse necessário.

O posicionamento surgiu após uma troca pública de críticas com o senador Sérgio Petecão (PSD-AC). Renan questionou o atual modelo de representação política do Acre no Congresso Nacional, comparando o estado a regiões mais populosas do país. Para ele, a quantidade de parlamentares seria “desproporcional” em relação ao número de habitantes.

Em um dos trechos que circularam nas redes, Renan afirmou que o Acre tem uma população “minúscula” e sugeriu reduzir o número de representantes. Em outra fala, elevou o tom ao classificar a atuação política do estado como “péssima” e atacou diretamente parlamentares acreanos.

As declarações foram respondidas por Sérgio Petecão em um podcast local. O senador saiu em defesa de seu estado e criticou o que chamou de desconhecimento histórico e institucional.

Visivelmente exaltado, afirmou que as falas do dirigente do MBL eram “totalmente desinformadas” e que ataques ao estado representam agressão direta à sua população.

Após a entrevista, Petecão reforçou sua posição nas redes sociais, destacando que o Acre “não precisa pedir licença para existir” e que é parte legítima da federação brasileira. O senador pediu respeito à história do estado e aos representantes eleitos democraticamente.

O embate se intensificou quando Renan Santos voltou a se manifestar, ampliando as críticas ao eleitorado acreano e direcionando ofensas pessoais ao senador. Em uma das falas mais duras, declarou que poderia “transformar o Acre em território” e atacou Petecão diretamente.

Do ponto de vista legal, a Constituição Federal de 1988 garante a cada estado e ao Distrito Federal o direito a três senadores, regra mantida desde a Constituição de 1891. O modelo busca assegurar equilíbrio federativo entre as unidades da federação, independentemente de população ou território.

O Acre deixou oficialmente de ser território federal em 15 de junho de 1962, quando foi elevado à categoria de estado.

O episódio reacendeu debates sobre os limites do discurso político e o respeito institucional entre representantes e unidades da federação