A divulgação de dados por uma nova plataforma de monitoramento reacendeu o debate sobre o volume de recursos públicos movimentados por deputados federais, especialmente por meio das chamadas emendas Pix.
No Acre, os números de 2025 revelam cifras expressivas destinadas a prefeituras e ao governo estadual, além de elevados custos mensais de manutenção dos mandatos.
O levantamento foi publicado pelo site De Olho em Você, que passou a detalhar a execução de emendas individuais, com foco nas transferências especiais, mecanismo que permite o repasse direto de verbas da União a estados e municípios, sem a necessidade de convênios formais.
A modalidade, criada pela Emenda Constitucional nº 105/2019, tem sido alvo de questionamentos por órgãos de controle devido ao menor nível de rastreabilidade sobre a aplicação final dos recursos.
Deputados do Acre concentram altos valores
Somados apenas os valores das emendas Pix dos parlamentares acreanos, o montante destinado em 2025 chega próximo de R$ 100 milhões.

O total pode ser ainda maior, já que a plataforma não apresenta, até o momento, dados do deputado Zé Adriano (PP), que assumiu recentemente o mandato após a eleição de Gerlen Diniz para a Prefeitura de Sena Madureira.
Entre os destaques está a deputada Antônia Lúcia (Republicanos), que aparece no topo do ranking estadual, com pouco mais de R$ 18,1 milhões em transferências especiais.
A maior parcela desses recursos foi encaminhada para Senador Guiomard, que recebeu mais de R$ 7 milhões.
Além do volume de emendas, a parlamentar figura entre os deputados com maiores gastos do país, integrando o Top 4 nacional em despesas, com média mensal superior a R$ 40 mil. Apenas em novembro, o custo do mandato ultrapassou R$ 90 mil, somando salário e despesas.
Com valor praticamente idêntico, o deputado Roberto Duarte (Republicanos) também destinou cerca de R$ 18,1 milhões em emendas Pix. No caso dele, o município mais beneficiado foi Feijó, com quase R$ 5 milhões.
O custo total do mandato em novembro passou de R$ 90 mil, mantendo o mesmo salário fixo mensal dos demais parlamentares.
Pelo Progressistas, a deputada Socorro Neri direcionou aproximadamente R$ 15,8 milhões, com Tarauacá liderando a lista de municípios contemplados, recebendo quase R$ 5 milhões.
Seus gastos mensais em novembro ficaram próximos de R$ 69 mil. Já o deputado Zezinho Barbary, do mesmo partido, aparece logo atrás, com pouco mais de R$ 15,3 milhões em transferências, sendo Porto Walter o principal destino dos recursos.
Do União Brasil, Coronel Ulysses destinou cerca de R$ 13,7 milhões, com destaque para Acrelândia, que recebeu quase R$ 3 milhões.
Eduardo Veloso direcionou pouco mais de R$ 8,5 milhões, concentrando repasses em Sena Madureira, enquanto Meire Serafim aparece com aproximadamente R$ 6,9 milhões, tendo Xapuri como principal beneficiado, com valor superior a R$ 4,7 milhões.
Salários iguais, despesas variáveis
Apesar de todos os deputados federais receberem o mesmo salário base — R$ 46.366,19 mensais —, o custo final de cada mandato varia consideravelmente.
As diferenças estão relacionadas a gastos com cota parlamentar, passagens aéreas, combustível, divulgação da atividade parlamentar e manutenção de escritórios, o que faz alguns parlamentares ultrapassarem com facilidade a marca de R$ 90 mil mensais.
Estratégia política e debate sobre transparência
A maior parte dos recursos foi destinada a prefeituras do interior e ao Governo do Estado, estratégia comum para fortalecer a presença política dos parlamentares nos municípios, mas o modelo das chamadas emendas Pix tem sido alvo de intenso debate no cenário político e institucional brasileiro.
Órgãos de controle e especialistas em finanças públicas apontam que, apesar de a modalidade ter sido criada para agilizar a liberação de recursos e reduzir a burocracia, ela também diminui o nível de detalhamento sobre a destinação final do dinheiro.
Como os valores são transferidos diretamente, sem convênios específicos, cresce a preocupação com a dificuldade de fiscalização e com a falta de transparência sobre quais obras, serviços ou ações estão sendo efetivamente financiados.
A discussão ganhou ainda mais força após manifestações do Supremo Tribunal Federal e de tribunais de contas, que passaram a cobrar critérios mais claros, rastreabilidade e mecanismos adicionais de controle sobre essas transferências especiais.
O foco do debate não é apenas o volume elevado de recursos envolvidos, mas a necessidade de garantir que o dinheiro público cumpra sua finalidade social e seja aplicado de forma eficiente.
Enquanto defensores do modelo argumentam que ele fortalece a autonomia de estados e municípios, críticos defendem regras mais rígidas e maior publicidade para evitar distorções e uso político das emendas.
Veja aqui o levantamento completo com nomes dos deputados do Acre e de todo o Brasil.