A Polícia Federal apreendeu um vídeo conhecido como “festa da cueca” durante a operação realizada na 13ª Vara Federal de Curitiba, na última quarta-feira (3).
O material, segundo investigação, mostra um encontro envolvendo integrantes da magistratura com garotas de programa em um quarto de hotel de luxo na capital paranaense.
Vídeo teria sido usado para pressionar o Judiciário
De acordo com denúncias do ex-deputado Tony Garcia, a gravação — supostamente registrada por uma câmera escondida no prendedor de gravata de um advogado — teria sido utilizada para chantagear desembargadores.
O encontro denunciado teria ocorrido em 19 de novembro de 2003, após um jogo da Seleção Brasileira em Curitiba.
Operação foi autorizada por Dias Toffoli
A ação da PF foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, com objetivo de recolher documentos, mídias e arquivos relacionados a investigações antigas da Vara responsável pelos processos da Lava Jato.
Além do vídeo, foram apreendidos processos físicos, gravações e disquetes que remontam a apurações anteriores à operação.
Material inclui dados de delações e relatórios antigos
Entre os documentos recolhidos estariam informações referentes a apurações envolvendo o empresário Tony Garcia, que atuou como informante em investigações conduzidas pelo então juiz Sérgio Moro, incluindo dados de colaborações como a do doleiro Alberto Youssef.
Denúncias de Garcia reacendem debate sobre condutas da Lava Jato
Na delação premiada de 2004, Tony Garcia afirmou ter sido coagido por Sérgio Moro a realizar gravações ilegais contra autoridades políticas e empresariais. Ele alega ter operado como “colaborador infiltrado” em troca de benefícios judiciais.
Em junho de 2024, um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já havia apontado irregularidades na atuação de Moro, de Deltan Dallagnol e da juíza Gabriela Hardt, relacionadas à tentativa de criação de uma fundação privada com R$ 2,5 bilhões. Moro nega as acusações e classificou o relatório como “ficção”.
Justiça Federal do Paraná ainda não se manifestou
A PF não detalhou o conteúdo integral do material apreendido. A Justiça Federal do Paraná foi procurada, mas ainda não enviou posicionamento sobre as denúncias e apreensões realizadas.