Os números mais recentes do Departamento de Inteligência e Coordenação de Dados Estatísticos da Polícia Civil do Acre (PCAC) acendem um alerta sobre a violência psicológica e o assédio direcionado a mulheres no estado.
Somente em 2025, foram contabilizados 92 casos de stalking, prática caracterizada por perseguição insistente, monitoramento e invasão da privacidade da vítima.
A capital, Rio Branco, concentra quase metade das ocorrências, com 40 registros. Cruzeiro do Sul aparece em seguida, com 14 casos, enquanto Sena Madureira e Senador Guiomard registraram 8 e 7 ocorrências, respectivamente.
Os dados confirmam um padrão já observado por entidades de proteção à mulher, em que a perseguição costuma ser cometida por pessoas próximas da vítima, muitas vezes ex-companheiros, que se recusam a aceitar o fim do relacionamento.
O levantamento também expõe a gravidade dos descumprimentos de medidas protetivas, recurso legal criado justamente para resguardar mulheres em situação de risco.
De janeiro a setembro de 2025, o Acre somou 457 violações desse tipo. Apenas em Rio Branco foram registrados 259 descumprimentos, enquanto os demais municípios somaram 198 ocorrências.
Entre as vítimas, a maioria se autodeclara parda, um total de 224 casos. Cruzeiro do Sul, novamente, aparece como o segundo município com maior quantidade de registros, acumulando 48 violações de medidas protetivas ao longo do ano.
As estatísticas reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção à violência de gênero, ampliar o acesso das mulheres aos canais de denúncia e garantir a efetiva fiscalização das medidas protetivas já concedidas.
Para a Polícia Civil, os dados serão utilizados para orientar investigações e aprimorar estratégias de proteção às vítimas em todos os municípios acreanos.