Caso Benício: médica e técnica são colocadas ‘cara a cara’ para esclarecer erro fatal em Manaus

Redação Portal Norte

A manhã desta quinta-feira (4) foi marcada por um momento decisivo na investigação da morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorrida após atendimento em um hospital particular de Manaus.

A Polícia Civil realizou uma carreação entre a médica Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Rayza Bentes Praia, ambas investigadas no caso, após relatos de contradições nos depoimentos.

Chegada das investigadas

As duas profissionais chegaram ao 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) com poucos minutos de diferença.

A médica Juliana Brasil foi a primeira a se apresentar, acompanhada de dois advogados. Logo depois, chegou a técnica de enfermagem Rayza Bentes, também assessorada por sua defesa.

Segundo o repórter no local, a carreação começou por volta das 9h20 e está sendo conduzida pelo delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação.

Entenda por que elas são investigadas

O caso envolve a aplicação de adrenalina intravenosa no menino Benício, durante atendimento no dia 22 do mês passado. Ele buscou o hospital com os pais devido a uma tosse persistente e suspeita de laringite.

A médica Juliana é investigada por prescrever a medicação, considerada inadequada para o quadro.

A defesa afirma que, ao perceber a gravidade da situação, a médica acionou de imediato o médico responsável pelo plantão e solicitou que a criança fosse encaminhada para a UTI, o que consta no pedido apresentado ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

A Polícia Civil chegou a solicitar a prisão preventiva da médica na última sexta-feira, mas o pedido foi negado. A Justiça concedeu habeas corpus, impedindo sua detenção.

Já a técnica de enfermagem Rayza Bentes administrou a medicação no menino e também é investigada. Ela havia falado com a imprensa em sua última ida ao DIP, mas nesta quinta-feira manteve silêncio por orientação de sua defesa.

Depoimentos anteriores

Na quarta-feira (3), enfermeiros e técnicos que atuavam na unidade hospitalar foram ouvidos. Entre eles, o enfermeiro responsável pelo setor de pediatria — que não estava presente no momento da aplicação da adrenalina, mas teria encaminhado Benício para a sala vermelha assim que os sintomas de reação começaram.

O delegado Marcelo Martins afirma que a investigação não está nem na metade, e que a confrontação entre médica e técnica é considerada fundamental para esclarecer pontos divergentes nos depoimentos.

Clima na delegacia

De acordo com as informações do repórter, a médica evitou qualquer contato com a imprensa, utilizando capuz para esconder o rosto. A técnica de enfermagem demonstrou mais tranquilidade.

A expectativa é que ambas deixem a delegacia ainda nesta manhã. O delegado Marcelo Martins deve se pronunciar oficialmente após o encerramento da carreação, trazendo novos detalhes sobre o andamento do caso.