A Polícia Federal (PF) intensificou, nesta quarta-feira (26), as investigações relacionadas à apreensão de R$ 510 mil em espécie ocorrida em setembro, em Boa Vista, e possível relação com esquema de fraudes em obras de vicinais.
Como parte da nova fase da Operação Déjà Vu, agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão, sendo seis na capital e um no município de Bonfim, com o objetivo de coletar informações que esclareçam a possível origem ilícita do montante.
Entre os alvos, está a residência do ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas (Republicanos). Embora a diligência tenha sido realizada, fontes relatam que, até o momento, não surgiram elementos considerados relevantes para alterar o rumo da investigação.
Alvos voltam ao foco após prisão
A operação também voltou suas atenções para a empresária Mariângela Moletta, seu esposo Emiliano Natal do Nascimento e a filha do casal, Juliana Moletta Nascimento.
A polícia prendeu os três em flagrante em setembro, quando eles carregavam o dinheiro, e os liberou 17 dias depois.
O advogado Diego Rodrigues, que representa o trio, confirmou o cumprimento dos mandados e afirmou que as ações da PF são legítimas. Ainda assim, defendeu que seus clientes provarão que não cometeram qualquer crime.
Em pronunciamentos anteriores, o ex-prefeito assegurou confiar no Judiciário e prometeu demonstrar sua inocência.
Além disso, o município afirmou que firmou todos os contratos investigados de acordo com as normas legais.
Justiça bloqueia bens
Em paralelo às buscas, a Justiça de Roraima determinou o bloqueio e o sequestro de bens avaliados em mais de R$ 2 milhões.
A decisão também ordenou a suspensão imediata do contrato firmado entre a Prefeitura de Bonfim e a empresa Prosolo, atualmente investigada.
A PF identificou inconsistências nos serviços prestados pela companhia, que tinha contratos superiores a R$ 40 milhões, mas não apresentava estrutura técnica ou operacional compatível com a execução de obras de recuperação de estradas vicinais.
Organização criminosa
Desde o início da operação, em 30 de setembro, os investigadores apuram suspeitas de fraudes em licitações, além de desvios de recursos destinados à manutenção de estradas no interior de Roraima.
De acordo com a PF, as primeiras análises indicam a existência de um grupo que atuaria de maneira coordenada, utilizando documentos falsificados, empresa de fachada e movimentações financeiras irregulares.
As suspeitas envolvem crimes como fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Portanto, a PF deve seguir com novas ações conforme avança na análise dos materiais apreendidos nesta fase da operação.