A Polícia Federal (PF) investiga como o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixou o Brasil apesar das restrições, e as apurações indicam que ele passou por uma rota clandestina em Boa Vista, Roraima. Agentes o localizaram em um condomínio de alto padrão em North Miami.
PF tenta reconstruir trajeto até a fronteira
De acordo com fontes ouvidas pela investigação, Ramagem desembarcou em Boa Vista antes de desaparecer.
A PF trabalha para confirmar se ele cruzou a fronteira pela Venezuela ou pela Guiana Francesa, caminhos com histórico de deslocamentos não registrados.
Ademais, os investigadores também apuram informações que apontam que o deputado chegou aos EUA em setembro, após combinar voo até Roraima e, depois, seguir de carro até uma das fronteiras.
Passagem por Roraima
A passagem de Ramagem por Boa Vista reforçou sua antiga ligação com o estado, onde atuou como delegado da Polícia Federal nos anos 2000 e conduziu investigações relevantes, incluindo a que levou à cassação do ex-governador José de Anchieta Júnior em 2011.
Sua ligação com o estado também se dá por meio da esposa, Rebeca Ramagem, procuradora do Estado de Roraima.
Prisão preventiva pelo STF
A investigação ocorre no mesmo período em que o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do deputado.
O PSOL acionou o STF e argumentou que a presença de Ramagem no exterior descumpre as cautelares que o impediam de viajar, e o ministro então decidiu decretar a medida.
Embora a decisão não trate diretamente da possível fuga, o pedido se amparou em reportagens que confirmaram sua estadia nos Estados Unidos.
Cautelares ignoradas e passaporte mantido
Mesmo proibido de deixar o país, Ramagem manteve o passaporte diplomático válido até 2027, documento que o STF ainda não confirmou ter recolhido.
As autoridades ainda analisam se houve violação deliberada das restrições impostas ao parlamentar.
Condenações e processos paralelos
A Procuradoria-Geral da República denunciou o deputado por cinco crimes, e o STF o condenou por três deles no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.
Além disso, a PF o indiciou no inquérito da chamada “Abin Paralela”. A ação está na fase de embargos, cujo prazo para nova manifestação encerra em 24 de novembro.
A execução da pena, porém, depende de deliberação da Câmara dos Deputados, que precisa autorizar a prisão de parlamentares em exercício.
O PSOL defende que a permanência de Ramagem no exterior demonstra risco real de fuga e justifica a adoção de medidas urgentes.