Os dados mais recentes do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para a expressiva presença de famílias chefiadas por apenas um dos responsáveis no Brasil e, sobretudo, para o peso das mulheres nesse cenário.
Em todo o país, cerca de 7,8 milhões de mulheres criam os filhos sem a presença de um parceiro, enquanto os homens que assumem essa função somam aproximadamente 1,2 milhão.
Esse modelo familiar representa 15% dos lares brasileiros e está fortemente associado a desafios sociais, incluindo vulnerabilidade econômica e menor acesso a direitos trabalhistas, especialmente entre mulheres negras.
No Acre, o fenômeno se mostra ainda mais evidente. Conforme o levantamento preliminar do Censo, 29.999 mulheres vivem exclusivamente com os filhos, formando o maior grupo.
Outras 9.713 acreanas dividem a casa com os filhos e parentes próximos, estrutura em que a rede de apoio, normalmente composta por avós, tios ou irmãos, desempenha papel fundamental na organização do lar e no cuidado das crianças.
Embora as mulheres representem a grande maioria nesses arranjos, os dados também registra a presença de pais que criam os filhos sem companheira.
O Acre contabiliza 5.289 homens que vivem apenas com os filhos e outros 1.658 que compartilham o domicílio com familiares.
Ao todo, são 46.659 domicílios no estado conduzidos por apenas um responsável, entre mães e pais solo.
O levantamento “Censo Demográfico 2022: Nupcialidade e Família – Resultados preliminares da amostra” mostra ainda que, no Brasil, 13,5% dos lares são conduzidos por mães solo, enquanto apenas 2% têm pais como únicos responsáveis.
Isso significa que, para cada homem criando os filhos sozinho, há seis mulheres na mesma condição, reforçando a disparidade de gênero que caracteriza os arranjos familiares brasileiros.