COP30: Rascunho de acordo ignora corte de combustíveis fósseis e gera reação internacional

Redação Portal Norte

O governo brasileiro apresentou, nesta sexta-feira (21), o primeiro rascunho do acordo final da COP30, mas o texto causou forte insatisfação entre delegações estrangeiras.

O documento, com sete páginas, não inclui qualquer sinalização sobre redução de combustíveis fósseis, tema considerado central nas discussões climáticas desde 2021.

A proposta concentra-se no lançamento do Acelerador Global de Implementação, mecanismo destinado a reforçar o compromisso do Acordo de Paris e a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

No entanto, o texto evita mencionar petróleo, gás natural ou carvão, o que acendeu o alerta entre países defensores de uma transição energética mais rápida.

Brasil cobra mais financiamento climático de nações ricas

A presidência brasileira da COP30 reforçou no rascunho que países desenvolvidos devem cooperar para ampliar o financiamento às nações em desenvolvimento.

A proposta sugere elevar a arrecadação para, no mínimo, US$ 1,3 trilhão por ano a partir de 2035, valor destinado a projetos de adaptação, mitigação e transição energética.

Mais de 30 países ameaçam bloquear o acordo

A ausência de um plano claro para redução de combustíveis fósseis levou mais de 30 países a criticar o documento e ameaçar barrar o acordo.

Em uma carta conjunta, nações como Colômbia, França, Reino Unido e Alemanha alertaram que o rascunho apresentado pelo Brasil não atende aos requisitos mínimos para um resultado confiável.

“Na forma atual, o texto não oferece um caminho real para a transição energética”, afirmaram na mensagem enviada à organização do evento.

Organizações ambientais também rejeitam proposta

O Observatório do Clima, rede que reúne entidades ambientalistas brasileiras, classificou o conjunto de textos como “desequilibrado e insuficiente”.

A organização apontou omissão total sobre combustíveis fósseis — termo que não aparece em nenhum dos treze documentos publicados até agora.

Segundo a ONG, o chamado Pacote de Belém não entrega o roteiro defendido por Lula e apoiado por mais de 80 países para direcionar o mundo a uma economia menos dependente de petróleo e carvão.

Negociações seguem e trechos podem ser revistos

Os rascunhos ainda serão analisados pelas delegações dos mais de 190 países presentes à COP30. Todos os textos podem passar por alterações ou serem rejeitados até que se alcance consenso para a versão final do acordo.