A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante um homem venezuelano suspeito de fraudar um benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Pacaraima.
A PF deteve o homem no Posto de Triagem em Pacaraima enquanto ele tentava renovar a autorização de residência na última sexta-feira (14). Contudo, o Ministério da Previdência Social (MPS) só divulgou as informações nesta terça-feira (18).
Suspeito admitiu que nunca morou no Brasil
De acordo com o MPS, o homem, que não teve nome nem idade divulgados, admitiu morar em Santa Elena de Uairén, na Venezuela, e afirmou nunca ter residido no Brasil. Contudo, cruzava a fronteira uma vez por mês para sacar o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Além disso, o suspeito contou também que recebeu orientação de uma sobrinha para apresentar documentos ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e que ela ficava com parte do dinheiro recebido.
BPC exige residência comprovada no país
O BPC paga um salário mínimo por mês a idosos acima de 65 anos ou pessoas com deficiência sem meios de sustento e exige comprovação de residência no Brasil para qualquer beneficiário.
A Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP) informou que o pagamento irregular desse benefício ao venezuelano já gerou prejuízo superior a R$ 39 mil.
Portanto, a pasta calcula que a interrupção da fraude evitará uma despesa futura acima de R$ 175 mil, considerando estimativas de sobrevida baseadas em parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Roraima registra alta em denúncias de fraudes
Nos últimos anos, Roraima tem registrado aumento de denúncias relacionadas a fraudes em benefícios pagos a migrantes venezuelanos.
Em 2024, o senador Hiran Gonçalves (PP-RR) alertou para um crescimento suspeito no número de beneficiários estrangeiros do BPC, afirmando que 39% deles seriam venezuelanos.
Logo após a denúncia, a PF deflagrou uma operação que investigava um prejuízo estimado em R$ 33 milhões.
A suspeita era de que um grupo criminoso recrutava idosos na Venezuela, falsificava comprovantes de residência no Brasil e os incluía no CadÚnico.
Em novembro de 2024, uma nova operação da PF prendeu 14 venezuelanos em Pacaraima, suspeitos de participar de fraudes no BPC e no Bolsa Família, muitos sem comprovação de residência no território brasileiro.