Levantamento aponta mais de 500 pessoas vivendo em situação de rua no Acre, a maioria na capital

Redação Portal Norte

O Acre registrou o maior número de pessoas vivendo em situação de rua desde o início do monitoramento nacional realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o levantamento mais recente do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com População em Situação de Rua (OBPopRua), o estado contabilizou 557 pessoas nessa condição até outubro de 2025, das quais 481 vivem em Rio Branco.

O dado coloca o Acre na 25ª posição nacional, à frente apenas de Tocantins e Amapá. Apesar do número relativamente menor em comparação com outras regiões, o crescimento local chama atenção: desde 2018, quando havia 182 pessoas em situação de rua, o total aumentou mais de 200%.

Os registros mostram que o número de moradores de rua no Acre oscila desde o início da série histórica, mas tem apresentado alta constante nos últimos anos.

Após uma queda em 2021, com 159 pessoas identificadas, os índices voltaram a subir, com 239 em 2022; 366 em 2023; 468 em 2024 e 557 neste ano.

O levantamento da UFMG utiliza informações do CadÚnico, sistema que reúne dados de assistência social de todo o país.

Brasil tem 358 mil pessoas em situação de rua

Em nível nacional, o estudo contabilizou 358.553 pessoas em situação de rua em outubro, com maior concentração na Região Sudeste, especialmente nos estados de São Paulo (148.730), Rio de Janeiro (33.081) e Minas Gerais (32.685), que, juntos, representam cerca de 60% do total brasileiro.

O Observatório da UFMG também destacou o aumento expressivo de pessoas em situação de rua em Roraima, que passou de pouco mais de mil em 2018 para quase dez mil neste ano, evidenciando uma crise social que atinge diferentes regiões do país.

No Acre, o crescimento reflete o agravamento das desigualdades e a dificuldade de acesso a políticas públicas de moradia e assistência social.

O cenário reforça a necessidade de ações integradas entre estado e municípios para garantir o acolhimento e os direitos básicos dessa população cada vez mais visível nas ruas acreanas.