No Acre, a igualdade salarial entre homens e mulheres ainda enfrenta desafios, apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho.
De acordo com o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, mulheres em empresas com 100 ou mais funcionários no estado recebem, em média, 9,1% menos que os homens.
O estudo analisou mais de 19 milhões de vínculos trabalhistas em todo o país, destacando que, enquanto a remuneração média masculina chegou a R$ 4.958,43, as mulheres recebem R$ 3.908,76.
Presença das mulheres nos mercados do país
A pesquisa aponta que a presença das mulheres no mercado cresceu de 40% em 2023 para 41,1% em 2025, refletindo um aumento de 7,2 milhões para 8 milhões de mulheres empregadas no Brasil.
Apesar disso, a massa de rendimentos das mulheres ainda representa 35% do total, enquanto os homens concentram 58,9% dos salários pagos.
Para especialistas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o avanço na inserção feminina não é suficiente.
Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, afirma que “as empresas precisam acelerar a construção de planos de ação que promovam a igualdade salarial entre homens e mulheres dentro de suas organizações”.
No Acre, a diferença salarial menor em comparação a outros estados não significa que não haja desigualdade.
Mulheres negras, por exemplo, sofrem ainda maior disparidade: recebem em média metade do salário de homens não negros.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou a importância de políticas de apoio, como ampliação da licença-paternidade e auxílio-creche, para reduzir essas desigualdades e permitir que as mulheres desenvolvam suas carreiras de forma justa.
Principais fatores
O relatório também indicou que os principais fatores apontados pelas empresas para a disparidade salarial são tempo de experiência, metas de produção e planos de carreira.
A fiscalização do MTE já realizou 787 ações em 2025, atingindo cerca de um milhão de empregados, e continua monitorando a implementação da Lei de Transparência Salarial (Lei 14.611), que obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgar informações sobre igualdade salarial.
Além da remuneração, o estudo aponta iniciativas adotadas pelas empresas para promover diversidade: 38,9% implementam políticas de promoção de mulheres; 23,1% incentivam a contratação de mulheres negras; 19,7% apoiam mulheres com deficiência; e 18,8% criam oportunidades para pessoas LGBTQIA+.
No entanto, programas de apoio à parentalidade, como licença estendida e auxílio-creche, ainda são limitados, citados por cerca de 21% das empresas.
No contexto acreano, a transparência salarial e o avanço de políticas de diversidade representam um passo importante para reduzir desigualdades e permitir que mulheres tenham maior participação e valorização em grandes empresas do estado.