TRE autoriza abertura de inquérito da Polícia Federal contra o prefeito de Vilhena e o vice por suspeita de crimes eleitorais

Redação Portal Norte

O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) autorizou oficialmente a Polícia Federal a instaurar inquérito policial eleitoral contra o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro de Miranda Júnior, e o vice-prefeito, Aparecido Donadoni.

A decisão atende à representação apresentada pela PF no dia 10 de outubro de 2025, que pedia a abertura da investigação diante de fortes indícios de crimes eleitorais ocorridos durante a campanha de 2024, incluindo falsidade ideológica eleitoral, uso de documento falso e uso indevido de recursos públicos de campanha, todos previstos no Código Eleitoral.

A autorização judicial confirma o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI 7.447/PA, que obriga o controle jurisdicional prévio de investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado.

Empresas na mira da PF

Segundo o relatório da Polícia Federal, a apuração se concentrará em contratações suspeitas feitas pela chapa de Flori, especialmente com a empresa Impacto Comércio e Serviços Ltda., que recebeu R$ 182.952,00 por supostos serviços gráficos, apesar de não possuir sede física em funcionamento e de ter uma servidora comissionada da Prefeitura no quadro societário.

Outra frente investigativa envolve serviços de marketing e audiovisual contratados por R$ 180 mil junto a GB Mídia MKT Ltda., Rodrigo Pereira Rissi e Yure Cortez Miranda, sem comprovação concreta da execução dos trabalhos.

A PF deve agora ouvir os envolvidos, analisar documentos contábeis e, se necessário, quebrar sigilos bancários e fiscais para identificar o destino dos recursos provenientes do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Próximos passos

Com a autorização judicial, a Polícia Federal poderá iniciar diligências formais, entre elas:

  • depoimentos de investigados e testemunhas;
  • requisição de dados bancários;
  • perícia em notas fiscais e contratos;
  • e cruzamento de informações contábeis da campanha.

Ao final, o relatório será encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que decidirá se oferece ou não denúncia criminal contra os investigados. Caso confirmadas as suspeitas, os envolvidos podem responder a processo criminal e eleitoral, ficando ainda sujeitos à inelegibilidade.