O cometa C/2025 A6 (Lemmon), descoberto no início do ano pelo observatório Mount Lemmon, nos Estados Unidos, está protagonizando um dos momentos astronômicos mais aguardados de 2025.
Ele alcançou, na última terça-feira (21), sua maior aproximação da Terra, a cerca de 90 milhões de quilômetros, e poderá ser visto a olho nu em algumas regiões do Brasil pelos próximos dias.
De acordo com especialistas, o corpo celeste está em seu pico de luminosidade, resultado da reflexão intensa da luz solar sobre sua superfície coberta de gelo e poeira. O espetáculo poderá ser observado até o início de novembro, quando o cometa se aproximará do Sol e, em seguida, desaparecerá gradualmente.
Fenômeno só voltará daqui a mais de um milênio
Segundo a Royal Astronomical Society, o Lemmon é o cometa mais visível do ano nos dois hemisférios. Após completar sua passagem pelo Sistema Solar interno, o astro só deverá retornar daqui a 1.300 anos, tornando o fenômeno uma oportunidade única para astrônomos e curiosos.
De onde o Lemmon veio e por que é visível
O astrônomo Gabriel Rodrigues Hickel, doutor em Astrofísica pelo Inpe, explicou que o Lemmon se originou no Cinturão de Kuiper, região localizada além de Netuno e composta por milhões de corpos gelados.
“Esses cometas vêm das zonas mais distantes do Sistema Solar, com trajetórias longas e muito elípticas. Quando se aproximam do Sol, parte do gelo se transforma em gás, criando a cauda luminosa que enxergamos daqui”, detalhou o especialista.
O brilho esverdeado do Lemmon é resultado da presença de gases como cianogênio e carbono diatômico, comuns em cometas ativos.
Como observar o cometa no céu?
A melhor chance de visualizar o Lemmon será entre os dias 27 e 28 de outubro, quando ele ficará mais fácil de ser visto logo após o pôr do sol, próximo aos planetas Mercúrio e Marte, na constelação de Escorpião.
Em locais com pouca iluminação, o cometa poderá ser percebido sem equipamentos, como um ponto difuso e esverdeado no horizonte. No entanto, o uso de binóculos ou telescópios aumenta as chances de observar sua cauda tênue.
O brilho pode variar conforme a quantidade de poeira liberada pelo cometa, e o ponto de maior intensidade deverá ocorrer em 8 de novembro, quando ele atinge o periélio (aproximação máxima do Sol).