Professores indígenas de Uiramutã denunciaram o presidente da Câmara, Max Ferreira (Republicanos), o “Lobão”, por discriminação, assédio moral e abuso de autoridade em fiscalizações nas escolas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
De acordo com os relatos, o parlamentar entrou em várias escolas sem autorização, interrompeu aulas e gravou vídeos com conteúdo político.
As visitas ocorreram no início de outubro e causaram indignação entre servidores e lideranças locais.
Comunidades pedem respeito e responsabilização
O tuxaua Orlando Pereira da Silva, da comunidade indígena Uiramutã, lamentou o comportamento do parlamentar e afirmou que os vereadores não solicitaram autorização para visitar a escola.
Na comunidade Monte Moriá I, o vereador entrou na Escola Municipal Indígena Cícero Canuto de Lima e gravou vídeos sem permissão, repetindo a mesma situação.
O tuxaua Antônio Samuel também declarou que não autorizou a entrada dos representantes do Legislativo, mas que a visita aconteceu mesmo assim.
Na comunidade São Francisco, professores da Escola Municipal Indígena Amooko Francisco Pereira também acusam Lobão de desrespeitar servidores e usar o espaço escolar para autopromoção política.
De acordo com os relatos, mesmo após orientação para parar, ele insistiu em continuar filmando.
Secretaria de Educação anuncia providências jurídicas
O secretário municipal de Educação, Damázio de Souza Gomes, repudiou a conduta do vereador e informou que a Prefeitura vai acionar o setor jurídico para responsabilizar o parlamentar.
Conforme dito por ele, as denúncias reforçam a necessidade de resguardar o ambiente escolar e assegurar que fiscalizações ocorram dentro da legalidade.
Lobão nega invasão
Em nota oficial, o vereador Lobão negou as acusações e classificou as denúncias como “infundadas e equivocadas”. Ele afirmou que as visitas ocorreram no exercício legítimo da função fiscalizadora dos vereadores, prevista pela Constituição.
“Todas as visitas foram conduzidas com respeito e diálogo. Nosso objetivo era verificar as condições das escolas e buscar melhorias para o ensino”, declarou.
O parlamentar disse que gestores e tuxauas convidaram parte das fiscalizações e que fotos e vídeos mostram a precariedade das escolas.
“A fiscalização é um dever institucional e será mantida com transparência e compromisso com a comunidade escolar”, reforçou Lobão.
Vereador pede investigação contra presidente da Câmara
Na terça-feira (21), o vereador Magnum Cunha (Republicanos) anunciou que solicitará na sessão do dia 4 de novembro a criação de uma comissão para investigar Max Ferreira.
Ele afirmou que, se aprovarem o pedido, três vereadores comporão a comissão: um presidente, um relator e um membro.
Em suma, pelo regimento interno, o autor do requerimento assume automaticamente a presidência do grupo.