Operação mira líderes de facção no Acre acusados de homicídio em Cruzeiro do Sul

Redação Portal Norte

A Polícia Civil do Acre (PCAC) deflagrou, nesta sexta-feira (17), uma operação contra integrantes de uma facção criminosa com atuação em Cruzeiro do Sul.

A ação faz parte das investigações sobre o assassinato de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, ocorrido em setembro de 2024, e que gerou comoção na cidade pelo grau de violência empregado no crime.

A ofensiva, batizada de Operação Sinédrio, foi conduzida pelo Núcleo Especializado de Investigação Criminal (NEIC) e cumpriu mandados de prisão preventiva contra indivíduos apontados como membros do alto escalão da facção Comando Vermelho.

Os alvos ocupavam cargos no chamado “conselho rotativo”, estrutura interna responsável por decisões estratégicas e disciplinares dentro do grupo criminoso.

As investigações indicam que os dois suspeitos tinham participação direta na autorização de execuções, inclusive a de João Vitor.

Eles também atuavam como julgadores de condutas de outros membros da facção, autorizando punições em caso de desobediência às regras do grupo.

Durante a operação, a polícia encontrou duas armas de fogo em posse dos investigados: um revólver calibre .38 e uma pistola 9mm, ambas com munição.

De acordo com a PCAC, além dos mandados judiciais, os alvos foram autuados em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito.

As prisões ocorreram em pontos distintos do município, sem qualquer reação por parte dos suspeitos. Após os procedimentos legais, ambos foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecerão à disposição da Justiça.

A ação representa mais um passo na estratégia da Polícia Civil de desarticular as lideranças do crime organizado no Vale do Juruá.

Morte de João Vitor

O caso de João Vitor da Silva Borges, que motivou o aprofundamento das investigações, ocorreu em março de 2024. O jovem desapareceu no dia 8, após sair de casa sem dar informações à família.

João Vitor da Silva Borges, de 21 anos – Foto: Reprodução/Web

Três dias depois, seu corpo foi encontrado no Rio Juruá com marcas de violência, as mãos estavam amarradas e havia diversas perfurações de faca no rosto e pescoço.

As investigações revelaram que João Vitor foi atraído por uma amiga até o bairro Cohab, utilizando um carro de aplicativo.

No local, teria sido entregue a integrantes da organização criminosa. Em depoimento à polícia, uma das suspeitas admitiu que a execução foi autorizada por um membro do chamado “conselho rotativo”, estrutura interna que funciona como uma instância de julgamento e deliberação dentro da facção.