O que começou como um furto a residência terminou em uma sessão brutal de tortura nas mãos de uma organização criminosa.
Adônis Ricardo Nunes, de 30 anos, foi capturado na noite de terça-feira (14) por homens armados enquanto invadia uma casa na companhia de outra pessoa, na Rua do Passeio, no bairro Taquari, às margens do Rio Acre, na capital acreana.
Segundo o relato da própria vítima, ele e o comparsa foram surpreendidos por membros da facção, que os renderam e levaram até a beira do manancial.
No local, deram início a uma prática violenta comum conhecida como “disciplina”, um tipo de castigo aplicado a quem infringe regras internas, neste caso, o furto não autorizado dentro de área controlada.
Durante a agressão, e já bastante ferido, inclusive com parte do crânio exposta, Adônis aproveitou um momento de descuido dos agressores e se lançou no Rio Acre, nadando até conseguir sair na região do bairro Dom Giocondo, conhecido popularmente como Papoco.
De lá, ainda debilitado, seguiu até a área central de Rio Branco, onde chegou a pedir ajuda a pedestres próximo à Catedral Nossa Senhora de Nazaré.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado por testemunhas e enviou uma ambulância de suporte básico ao local.

O homem recebeu os primeiros socorros e foi levado ao Pronto-Socorro de Rio Branco, onde permanece internado em estado estável, apesar da gravidade dos ferimentos.
Durante o atendimento, ele relatou que teme pelo destino do comparsa, que não conseguiu fugir e, segundo suas suspeitas, pode ter sido executado à beira do mancial pelos mesmos criminosos.
A área em que ocorreram os fatos é conhecida por conflitos relacionados ao domínio territorial de facções e crimes violentos.
Até a manhã desta quarta-feira (15), nenhuma ocorrência oficial havia sido registrada pelas forças de segurança.