A tentativa de feminicídio que quase tirou a vida de Naiara Nogueira expôs, mais uma vez, a urgência de políticas públicas e a atuação constante do Ministério Público de Rondônia (MPRO) no combate à violência contra a mulher. Entre janeiro e agosto de 2025, o órgão ofereceu 21 denúncias de feminicídio em todo o estado, sendo seis casos consumados apenas em Porto Velho.
Rosângela de Souza, 39 anos; Roseli Lima, 57; Elizângela Áquila, 46; Dirlene Ferreira, 46; Graciele dos Santos, 37; e Fabrícia, de 22 anos, são nomes que representam a dor de uma realidade cruel. Todas foram vítimas de feminicídio, mortas por aqueles que diziam amá-las.
Em meio a tantas tragédias, a história de Naiara surge como símbolo de resistência. Mãe de dois filhos, sendo uma menina com deficiência de oito anos, ela viveu por uma década um relacionamento marcado por violência psicológica, moral e patrimonial. Quando decidiu se separar e buscar liberdade, tornou-se alvo do ódio do ex-marido.
Em abril deste ano, o homem invadiu a casa, pulou o muro e atacou Naiara diante da filha, que também ficou ferida. A vítima passou dias na UTI e sobreviveu por um milagre. O agressor foi preso preventivamente e aguarda julgamento.
O Ministério Público de Rondônia tem atuado de forma integrada com a Polícia Militar, Delegacias da Mulher e a Patrulha Maria da Penha, que realiza cerca de 10 mil visitas domiciliares a mulheres em situação de risco. Essa rede busca garantir proteção e evitar que casos de violência resultem em novas tragédias.
Após meses de recuperação, Naiara tenta reconstruir a vida e transformar a dor em força para ajudar outras mulheres a romper o silêncio. Ela sabe que a caminhada é longa, mas estar viva já representa uma vitória. Sua história é um ato de coragem e esperança, mostrando que é possível superar a violência e recomeçar.
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