Norte e Nordeste ficam atrás do país em renda e oportunidades de trabalho, aponta IBGE

Redação Portal Norte

Dados preliminares do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (9), indicam que os trabalhadores das regiões Norte e Nordeste ainda enfrentam desigualdades significativas em relação às demais regiões do país.

Enquanto o rendimento médio mensal nacional é de R$ 2.851, o Norte registra R$ 2.238 e o Nordeste, R$ 2.015. Segundo o levantamento, essas diferenças refletem a concentração de atividades econômicas mais bem remuneradas em estados da região Centro-Sul, como São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal.

Maior rendimento

A região Centro-Oeste apresentou o maior rendimento médio mensal do Brasil, de R$ 3.292, superando a média nacional em 16,7%. Em seguida, aparecem o Sul (R$ 3.190) e o Sudeste (R$ 3.154), regiões que concentram a maior parte das oportunidades de emprego formal e setores industriais mais lucrativos.

Por outro lado, Norte e Nordeste permanecem abaixo da média nacional, reforçando as desigualdades regionais. Entre os estados com menores rendimentos médios estão Maranhão (R$ 1.855), Piauí (R$ 1.905) e Bahia (R$ 1.944), evidenciando o desafio social dessas regiões.

Mais de um terço dos trabalhadores recebe até um salário mínimo

O Censo revela que 35,3% dos trabalhadores brasileiros recebem até um salário mínimo, que em 2022 era de R$ 1.212. Apenas 7,6% da população ocupada recebe mais de cinco salários mínimos (R$ 6.060), mostrando a concentração de renda em uma parcela reduzida da população.

A faixa de rendimentos mais comum está entre um e dois salários mínimos, abrangendo 32,7% dos trabalhadores. Já a parcela que recebe acima de 20 salários mínimos representa apenas 0,7% do total.

Gênero e raça

Os dados também confirmam disparidades salariais entre gêneros e grupos étnicos. Em média, os homens receberam R$ 3.115, 24,3% a mais que as mulheres, que receberam R$ 2.506. Essa diferença é observada em todos os níveis de escolaridade.

No recorte por cor ou raça, trabalhadores amarelos (R$ 5.942) e brancos (R$ 3.659) têm rendimentos acima da média nacional, enquanto pardos (R$ 2.186) e pretos (R$ 2.061) recebem menos. Indígenas registram o menor rendimento médio, de R$ 1.683.

Norte e Nordeste registram maiores desigualdades de renda

O Índice de Gini, utilizado para medir a concentração de renda, atingiu 0,542 no país em 2022. As regiões Norte (0,545) e Nordeste (0,541) apresentaram os maiores índices, confirmando que os trabalhadores dessas áreas enfrentam maiores disparidades salariais.

Em contraste, a Região Sul registrou o menor índice (0,476), indicando uma distribuição de renda mais equilibrada.

Taxa de ocupação

O nível de ocupação no país é de 53,5% para pessoas com 14 anos ou mais, uma queda em relação a 2010 (55,5%). As maiores taxas foram registradas no Sul (60,3%), Centro-Oeste (59,7%) e Sudeste (56%), enquanto Nordeste (45,6%) e Norte (48,4%) apresentam os menores índices.

Entre os estados, Santa Catarina (63,5%) e Distrito Federal (60,4%) lideram a ocupação, enquanto Piauí (43%), Paraíba (43,5%) e Maranhão (43,6%) estão na base da lista.

Conclusão

A análise preliminar do Censo 2022 evidencia que, apesar de avanços em algumas regiões, rendimentos e oportunidades de trabalho continuam fortemente influenciados pela localização geográfica, gênero e cor ou raça.

Norte e Nordeste permanecem como as regiões mais afetadas pelas desigualdades, indicando a necessidade de políticas públicas voltadas para reduzir essas disparidades e promover maior equidade social.