A movimentação política do senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi determinante para destravar a tramitação do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
O texto, que estava parado na Câmara havia meses, acabou sendo votado e aprovado após pressão direta sobre o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). As informações são do portal UOL.
Segundo a reportagem, Renan articulou junto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendendo que o governo editasse uma medida provisória para garantir a aplicação da nova regra já em 2026.
O senador argumentava que a demora em votar a proposta inviabilizaria a mudança no prazo legal exigido. Apesar da sugestão, o governo acabou descartando a alternativa da MP, mas o alerta serviu de gatilho para acelerar a votação.
O senador, que já relatava um projeto semelhante no Senado apresentado por Eduardo Braga (MDB-AM), usou o texto em tramitação na Casa como ferramenta de pressão.
Ele conseguiu aprová-lo rapidamente na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), em caráter terminativo, encaminhando-o diretamente à Câmara. Essa ofensiva obrigou Lira a colocar em pauta a versão que estava sob sua relatoria.
Com o clima político mais favorável, especialmente após os protestos de setembro contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia, o presidente da Câmara levou a matéria a plenário.
O resultado foi expressivo: 493 dos 513 deputados votaram pela aprovação, sem nenhum voto contrário.

Apesar do alinhamento momentâneo, Renan e Lira seguem como rivais históricos em Alagoas e devem disputar as duas cadeiras do Senado nas próximas eleições.
A aprovação da isenção do IR, além de atender a uma promessa de campanha de Lula, fortalece o capital político de ambos em busca do apoio do Palácio do Planalto e do eleitorado alagoano.