A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante a empresária Mariângela Moletta, o marido e a filha com R$ 510 mil em espécie, em uma operação que investiga um esquema de corrupção ligado ao ex-prefeito de Bonfim, Joner Chagas.
Os agentes monitoravam o trio dentro de uma agência do Banco do Brasil e desconfiaram da movimentação de uma grande quantia em dinheiro vivo.
Durante a abordagem, os suspeitos disseram que usariam o dinheiro para pagar funcionários e aluguéis de máquinas, mas não souberam especificar quem seriam os beneficiários.
Enquanto na sede da PF, preferiram ficar em silêncio por orientação de advogados.
Empresa de fachada e contratos milionários
A empresa Prosolo, de propriedade de Mariângela, firmou mais de R$ 50 milhões em contratos com a Prefeitura de Bonfim.
Segundo o inquérito, há indícios de que a construtora seja de fachada, já que o imóvel onde deveria funcionar apresenta sinais de abandono, como mato alto, cerca elétrica danificada e ausência de atividades comerciais.

Entre os contratos investigados, está um de R$ 8,3 milhões, firmado por meio de uma Transferência Especial, modalidade que dificulta o rastreio do destino final do dinheiro público.
Em 2025, a Prefeitura assinou um contrato de R$ 41,9 milhões por meio de pregão presencial, sem informar claramente a origem dos recursos.
As apurações também apontam transferências bancárias para servidores municipais de Bonfim, incluindo um agente de contratação e um engenheiro civil.
Este último teria atestado obras inexistentes, liberando pagamentos indevidos.
Envolvimento de Joner Chagas
A PF aponta o ex-prefeito de Bonfim e atual presidente da Associação dos Municípios de Roraima (AMR), Joner Chagas (Republicanos), como o articulador do esquema.
Mensagens encontradas no celular de Mariângela mostram que ele orientava pagamentos, transferências e valores, indicando destinatários e contas bancárias.
Em uma conversa de 15 de setembro, Chagas teria sugerido ajustes fraudulentos nas medições de estradas vicinais, indicando até um engenheiro do município para atestar serviços simulados.
No mesmo diálogo, ele pediu que Mariângela não compartilhasse uma ata de registro de preços, com o objetivo de replicá-la em outros municípios e aditá-la em 2026. A empresária respondeu que não faria sem a autorização do ex-prefeito.
De acordo com o relatório policial, Chagas agia como “dono” da ata de preços, evidenciando a intenção de lucrar irregularmente com os contratos públicos.

Medidas da PF e bloqueio de recursos
Com base nas provas coletadas, a PF pediu à Justiça a suspensão das atividades da Prosolo e o bloqueio de R$ 5 milhões referentes a um contrato de manutenção de estradas vicinais assinado em 2024, último ano da gestão de Joner Chagas.
O inquérito investiga lavagem de dinheiro, corrupção ativa, associação criminosa e fraude em licitação.
Além disso, a apuração também relaciona o esquema a recursos de emendas parlamentares e a contratos de Transferência Especial, de difícil rastreamento.
Posicionamentos
Em nota, Joner Chagas afirmou estar “tranquilo”, disse confiar na Justiça e garantiu que provará sua inocência.
A Prefeitura de Bonfim, por sua vez, informou que todos os procedimentos seguiram os ritos legais e reafirmou o compromisso da gestão com a transparência, responsabilidade e ética.
Contudo, até o momento, a defesa de Mariângela Moletta não se manifestou sobre o caso.