O diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal (PF), Carlos Eduardo Palhares, explicou que existem duas possíveis origens para a contaminação por metanol em bebidas alcoólicas: falhas na fabricação ou manipulação ilícita, conhecida como falsificação.
Segundo Palhares, o INC realizará exames avançados de isótopos estáveis para determinar a sua origem e quantificar o teor presente nas amostras analisadas.
Uma das hipóteses levantadas ocorre durante o processo de destilação. A primeira parte da destilação, que contém metanol, deve ser descartada pelos fabricantes.
Caso isso não aconteça corretamente, resíduos podem permanecer na bebida, causando intoxicação.
“Se é feito, por exemplo, uma cachaça, os fabricantes já sabem que a primeira parte da destilação deve ser descartada porque tem metanol. Se houve metanol residual do processo de fabricação, conseguimos identificar e mensurar”, afirmou Palhares à GloboNews.
Falsificação e reutilização de garrafas das bebidas
A segunda possibilidade envolve a reutilização de garrafas de marcas conhecidas para colocar bebidas de qualidade inferior, dando a impressão de que se trata do produto original.
“Existe hoje um comércio ilegal de garrafas. A pessoa descarta a garrafa com tampa, e um falsificador pode usá-la como principal insumo. Mesmo resíduos pequenos de metanol podem ser detectados”, explicou Palhares.
Outra linha de investigação considera que o metanol tenha sido adicionado intencionalmente, para aumentar o teor alcoólico ou acelerar a sensação de embriaguez.
“É possível que a contaminação tenha vindo de produtos químicos, como metanol industrial ou mesmo álcool de combustível. Esta situação é completamente diferente e exige investigação detalhada”, destacou o diretor do INC.
Todas as hipóteses estão sendo analisadas e serão confirmadas ou descartadas a partir dos laudos do INC.
Os exames avançados de isótopos estáveis são cruciais para determinar se o metanol é de origem natural da fermentação ou inserção ilícita.