A Polícia Federal vai apurar de onde veio o metanol usado na adulteração de bebidas alcoólicas em São Paulo. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, levantou a possibilidade de a rede de distribuição da substância atingir outros estados do país.
Até agora, o Centro de Vigilância Sanitária confirmou seis intoxicações, sendo três fatais, enquanto outros dez episódios seguem em análise. A gravidade chamou atenção porque o número equivale a quase metade das ocorrências anuais no Brasil.
O que investigações indicam?
As investigações apontam que falsificadores compram garrafas de marcas conhecidas de gim e vodca, esvaziam parte do conteúdo e misturam metanol, um produto químico barato e de fácil acesso no mercado clandestino.
Depois, o material é revendido em bares, adegas e festas, sem que o consumidor perceba a diferença.
O metanol não é destinado ao consumo humano. A ingestão, mesmo em pequenas quantidades, pode causar vômitos, dor abdominal, confusão mental, convulsões, cegueira e morte.
Autoridades de saúde reforçam que qualquer suspeita de intoxicação deve ser tratada como emergência médica.
Possível ligação com o crime organizado
A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) levanta a hipótese de que o metanol usado para adulterar bebidas seja o mesmo contrabandeado para fraudes em combustíveis.
Segundo a entidade, após recentes operações policiais contra distribuidoras ligadas ao PCC, parte do estoque pode ter sido repassada a quadrilhas especializadas em falsificação de destilados.
Vítimas e relatos
Entre os casos em análise estão jovens que beberam gim em uma adega da Zona Sul de São Paulo e passaram mal logo em seguida.
Um deles, Rafael dos Anjos Martins Silva, de 29 anos, está em estado gravíssimo após quase um mês internado. Familiares afirmam que os médicos consideram o quadro irreversível.
Outro caso de repercussão é o de Rhadarani Domingos, que perdeu a visão após ingerir caipirinhas em um bar do Jardim Paulista. Ela deixou a UTI, mas segue internada sem previsão de alta.
O governo de São Paulo orienta comerciantes e bares a verificarem rigorosamente a procedência das bebidas. Consumidores devem desconfiar de preços muito baixos e checar sempre se o produto tem rótulo, lacre e selo fiscal.
Com informações do G1*