O segundo tenente aposentado da Polícia Militar do Acre, Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, foi detido na manhã desta segunda-feira (29) ao se apresentar espontaneamente na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Rio Branco.
Ele é investigado pela morte da companheira Ionara da Silva Nazaré, de 29 anos, assassinada a tiros na residência do casal no bairro Mocinha Magalhães, durante a madrugada deste sábado (27).
A Justiça havia autorizado a prisão temporária do acusado ainda no fim de semana, e desde então equipes policiais buscavam sua localização, ele chegou a ser considerado foragido.
A investigação aponta que a vítima foi alvejada três vezes após uma discussão dentro de casa. As filhas de Ionara, de 3 e 7 anos, presenciaram a cena, o que aumentou a gravidade e a comoção em torno do caso.
Testemunhas afirmaram que o militar foi visto saindo do imóvel logo após os disparos, carregando uma arma de fogo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, mas nada pôde ser feito.
O corpo de Ionara foi recolhido pela Polícia Técnico-Científica, que deu início aos exames periciais. O episódio reacendeu debates sobre violência doméstica e a conduta de agentes de segurança aposentados.
De acordo com informações, Reginaldo ingressou na corporação na década de 1980 e estava fora do serviço ativo desde 2018, embora ainda atuasse em funções administrativas por meio da reserva.
Conforme divulgado, o relacionamento com a jovem era recente e marcado por conflitos crescentes nos últimos meses. Uma possível traição descoberta pela vítima teria motivado a ação criminosa, segundo a principal linha de apuração.
Familiares compareceram a Deam
Na manhã desta segunda, familiares da vítima foram até a delegacia ao saber que o acusado havia se entregado. As irmãs de Ionara, visivelmente abaladas, choraram ao relembrar da jovem e pediram justiça.
Uma delas relatou que o acusado sempre se mostrava uma pessoa tranquila, e que o crime revelou uma face desconhecida. A família está devastada e busca apoio para cuidar das duas crianças que presenciaram o assassinato da mãe.
“Ninguém esperava que ele fosse fazer isso, nuca… Ele nunca agrediu minha irmã, nunca bateu nela… Ele demonstrava ser uma pessoa que só agora a gente está descobrindo quem é de verdade. Ele vivia uma vida de mentira e fingia para minha irmã, fazendo ela acreditar que tudo era perfeito e terminou nisso que tirou o nosso chão”, disseram.
A Polícia Civil continua apurando os detalhes do caso, e novas informações sobre o andamento da prisão e os próximos procedimentos devem ser divulgadas nos próximos dias.
O feminicídio de Ionara é mais um caso que evidencia a urgência de ações efetivas de combate à violência doméstica e proteção às mulheres, especialmente em contextos onde o agressor tem acesso a armas e posição de autoridade.