Audiência de policiais acusados de matar enfermeira no Acre é adiada para outubro

Redação Portal Norte

A sessão que avalia a responsabilidade dos policiais Gleyson Costa de Souza e Cleonizio Marques Vilas Boas no caso da morte da enfermeira Géssica Melo de Oliveira, de 32 anos, foi interrompida no fim da tarde de quarta-feira (24), após quase dez horas de duração. A interrupção ocorreu antes que todas as testemunhas previstas fossem ouvidas.

Enfermeira
Policiais Gleyson Costa de Souza e Cleonizio Marques Vilas Boas acusados do crime – Foto: Reprodução/WEB

Segundo informações repassadas pelo Tribunal de Justiça do Acre, o julgamento será retomado no próximo dia 29 de outubro.

A medida foi tomada para garantir que todos os depoimentos e demais procedimentos processuais sejam realizados com o tempo necessário, sem comprometer o andamento legal.

Tanto os representantes da acusação quanto da defesa concordaram com a suspensão, argumentando que a complexidade do caso e o número de testemunhas, que na primeira fase foram ouvidas mais de 20 pessoas, exigem maior tempo de análise.

Durante a tramitação do caso, a Justiça indeferiu alguns dos pedidos apresentados pelas defesas dos acusados, entre eles, a realização de uma reprodução simulada dos fatos.

O MP alegou que não havia informações claras sobre a dinâmica do ocorrido no início das investigações, o que inviabilizaria a precisão de uma reconstituição.

Além disso, a instituição contestou a solicitação para levantar histórico de saúde mental da vítima, por considerar a medida ofensiva e irrelevante para os autos.

Géssica foi morta após furar bloqueio policial

O crime aconteceu após a enfermeira furar um bloqueio policial em Capixaba, inteior do Acre e ser perseguida por viaturas da Polícia Militar e do Grupo Especial de Fronteira (Gefron).

Enfermeira Géssica Melo de Oliveira, de 32 anos, vítima do caso – Foto: Reprodução/WEB

O ato se estendeu até Senador Guiomard, onde ela foi atingida por disparos e perdeu o controle do carro, que acabou colidindo em uma cerca às margens da rodovia. Os policiais alegaram ter visto a vítima armada, o que motivou os tiros.

Após a morte, uma arma de uso restrito foi encontrada nas proximidades do local do acidente. A Polícia chegou a afirmar que o objeto pertencia à vítima, mas laudos periciais descartaram essa versão.

Exames confirmaram que a pistola não possuía o DNA de Géssica, afastando qualquer ligação direta entre ela e o armamento. Esse fato passou a ser considerado na denúncia como indício de tentativa de fraude no local do crime.

Os dois policiais respondem pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e fraude processual, e seguem em prisão domiciliar, aguardando o julgamento.

A nova etapa do processo é considerada essencial para esclarecer os detalhes do caso, que ganhou grande repercussão no estado e tem mobilizado a opinião pública em busca de justiça para a enfermeira.