A Polícia Civil de Roraima (PCRR) prendeu em flagrante quatro pessoas na tarde de quarta-feira (24) durante a investigação de um esquema de atendimentos oftalmológicos clandestinos em Boa Vista.
O grupo realizava consultas e exames sem habilitação profissional em uma residência improvisada no bairro Nova Cidade, na Zona Oeste da capital.
Atendimento em condições precárias
No local, os policiais encontraram equipamentos oftalmológicos instalados de forma improvisada, inclusive na cozinha da casa, ao lado de louças sujas.

Além disso, os pacientes aguardavam atendimento em fila, sem nenhuma garantia de higiene ou segurança.
De acordo com o delegado Igor Silveira Alencar, responsável pela ação, a investigação identificou um esquema criminoso que colocava em risco a saúde das pessoas.
Estrutura criminosa organizada
Conforme a investigação, cada integrante do grupo desempenhava uma função específica. A técnica óptica J.F.S., de 32 anos, se apresentava como optometrista e emitia laudos e receitas sem qualquer qualificação médica.
Após os falsos exames, T.C.S., de 41 anos, oferecia armações e lentes de óculos, considerada a principal fonte de lucro.
A dona da residência, M.M.C.N., de 55 anos, cuidava da recepção e divulgação dos atendimentos. Já G.P.C., de 37 anos, era responsável pelo controle financeiro e pela compra dos materiais.
“Mutirão” em troca de alimentos
Para atrair clientes, o grupo anunciava nas redes sociais um “mutirão gratuito” de consultas em troca de 1 kg de alimento não perecível.
Além disso, praticava a chamada “venda casada” com uma ótica de Boa Vista, estratégia proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Entre os casos identificados, chamou atenção a emissão de receita para uma criança de 9 anos que não necessitava de correção de grau, evidenciando o objetivo comercial do esquema.
Apreensões e prisão em flagrante
Durante a operação, os agentes apreenderam equipamentos médicos, 153 maletas com armações, receituários preenchidos irregularmente e anotações de consultas.
A PCRR realizou a prisão em flagrante dos suspeitos por exercício ilegal da medicina, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo.
Os quatro acusados passaram por audiência de custódia na quinta-feira (25). A Justiça concedeu liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas, enquanto o inquérito segue em andamento.