Indígenas Warao vivem à beira do despejo em área pública de Boa Vista

Redação Portal Norte

Casas improvisadas de madeira e PVC, comida preparada no chão e a ausência de saneamento básico revelam a vulnerabilidade de 358 indígenas da etnia Warao que vivem no bairro Pintolândia, em Boa Vista.

A área, de posse do governo estadual de Roraima, permaneceu desocupada até 2016, quando os primeiros indígenas venezuelanos passaram a utilizá-la como moradia, iniciando uma ocupação espontânea.

Contudo, de acordo com lideranças Warao, secretarias estaduais já manifestaram interesse em retomar a área para construir empreendimentos públicos, como uma maternidade. A possibilidade gera medo entre as famílias, que não têm outra alternativa de moradia.

“Estamos muito preocupados, porque não sabemos para onde ir caso sejamos retirados”, relatou uma das lideranças.

Governo anuncia obra

Recentemente, a Secretaria de Infraestrutura (Seinf) informou que o prédio está destinado à construção de uma maternidade voltada à Zona Oeste de Boa Vista.

No entanto, o órgão esclareceu que o projeto ainda está em fase de trâmites licitatórios, sem previsão de execução.

Além disso, a pasta ressaltou que não há ordem de desocupação em andamento, apenas o tratamento legal da desapropriação.

Especialistas defendem esforço conjunto

Para o antropólogo Haroldo de Souza, a solução passa pela articulação entre diferentes esferas de poder.

“O ideal seria uma operação conjunta entre governo estadual, federal e órgãos como a Funai e a Sesai. Só assim será possível atender as demandas dos indígenas sem deixar a população local desassistida”, afirmou.

Assistência interrompida

Entre 2018 e 2022, a comunidade recebeu apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e de militares da Operação Acolhida.

Porém, após a saída das equipes, os indígenas ficaram sem suporte direto. Desde então, vivem em incerteza e enfrentam dificuldades para manter a subsistência.

O que diz o governo Federal

A equipe de reportagem buscou posicionamento da Funai, porém não obteve retorno até o momento.