Norte e Nordeste: saiba como se posicionam no ranking de ‘Escolas Conectadas’

Redação Portal Norte

O programa federal Escolas Conectadas, que visa levar internet de qualidade a todas as escolas públicas do país até 2026, ainda revela grandes desigualdades regionais. Ainda neste mês, o programa completa dois anos de atuação, mas com lacunas expressivas.

Os dados revelam uma grande disparidade regional: enquanto alguns estados ultrapassam 70% de conectividade, outros ainda não chegam a 30%, puxando a média regional para baixo, especialmente no Norte.

Enquanto Sul e Centro-Oeste brilham no ranking de conectividade escolar, Nordeste e Sudeste surgem em posição intermediária. Já o Norte fica à sombra, distante da média nacional, revelando um verdadeiro apagão digital na região.

Embora o Nordeste esteja acima da média nacional, e o Norte apresente o pior desempenho, ambas as regiões compartilham desafios. Isso levanta a questão: por que o Norte segue tão atrás, mesmo diante de políticas federais semelhantes?

Ranking

Antes de analisarmos as diferenças, é importante entender como Norte e Nordeste se posicionam no ranking de conectividade escolar.

O programa Escolas Conectadas, do Governo Federal, já atende 59,65% das escolas de ensino básico no país, levando internet de banda larga e wi-fi aberto a 82.227 instituições. Apesar do avanço, os números mostram grandes desigualdades regionais e estaduais.

Ranking dos estados mais conectados:

  1. Mato Grosso do Sul – 79,3%
  2. Rio Grande do Norte – 78,5%
  3. Goiás – 77,1%
  4. Piauí – 74,9%

Estados com menor conectividade:

  1. Amapá – 14,3%
  2. Distrito Federal – 18,9%
  3. Amazonas – 25,4%
  4. Acre – 31,8%

Desempenho por região:

  • Sul: 70,01% das escolas conectadas
  • Centro-Oeste: 69,64%
  • Nordeste: 61,86%
  • Sudeste: 59,38%
  • Norte: apenas 40,84%

O desafio é maior nas áreas onde a escola é essencial para inclusão digital. No Amazonas, por exemplo, pouco mais de 1 em cada 4 escolas conta com internet, refletindo as dificuldades impostas pela geografia da região.

Amazonas enfrenta desafios

A conectividade das escolas no Amazonas ainda enfrenta desafios significativos, apesar de avanços nos últimos anos. Tomáz Galvão, Diretor de Operações da MegaEdu, especializada em inclusão digital, destacou que um dos obstáculos é identificar onde estão as escolas e qual é a qualidade da conexão:

“Eu acho que outro desafio dessa atual conjuntura de conectividade do Estado é, de fato, saber onde estão essas escolas e qual é a qualidade da internet delas, para poder direcionar essa conectividade de maneira efetiva para as instituições que realmente precisam. Esse diagnóstico, às vezes, nem sempre é preciso, e é necessário atualizá-lo de maneira frequente. Então, acho que esses são alguns dos desafios para conseguir superar a questão da inclusão digital nas escolas do Estado do Amazonas”

A geografia do estado e a dimensão continental do Amazonas tornam a tarefa ainda mais complexa. Galvão também apontou que recursos públicos limitados e a necessidade de estratégias eficazes para conectar cada escola contribuem para a dificuldade de garantir inclusão digital em todas as regiões.

Apesar do avanço, o Norte ainda apresenta o maior déficit de conectividade, enquanto estados do Nordeste, como Paraíba e Rio Grande do Norte, já superam 60% das escolas conectadas.

Norte e Nordeste

A inclusão digital nas escolas brasileiras ainda revela desigualdades significativas entre regiões. Galvão ainda destacou que a proximidade entre Norte e Nordeste não elimina as diferenças estruturais.

“A evolução da conectividade de cada estado depende de fatores como os desafios geográficos inerentes, os recursos públicos disponíveis e as estratégias já identificadas para a conectividade dessas regiões. É muito bom termos esses dados públicos para mobilizar e entender, escola por escola, quais ainda precisam de atenção”, disse.

Enquanto o Nordeste ainda se mantém em nível intermediário, o Norte enfrenta barreiras mais complexas, como extensão territorial, logística e infraestrutura limitada, mostrando que a equidade digital no país depende de esforços direcionados e contínuos em cada região.