A Justiça de Roraima condenou 23 pessoas, sendo 20 homens e 3 mulheres, por tráfico de drogas e associação criminosa no centro de Boa Vista. As penas variam conforme a participação de cada réu, somando 265 anos de prisão e mais de 34 mil dias-multa.
Em 2024, a Ficco-RR realizou a Operação Redenção para desarticular a venda de drogas próxima a escolas, supermercados, à Defensoria Pública (DPE) e ao Parque do Rio Branco.
O objetivo era reduzir o domínio das facções e o impacto do consumo de crack na criminalidade e na ocupação de espaços públicos.
Quadrilha organizada e intensa atuação
Conforme a sentença, os criminosos atuavam de forma estruturada, com funções divididas entre vendedores, intermediários e olheiros que monitoravam a presença policial. Testemunhas relataram que a venda de drogas ocorria de maneira intensa e “a céu aberto”.
A venezuelana Vanessa del Valle Hernandez Guayulpa liderava um dos grupos, distribuindo drogas e recolhendo o dinheiro das vendas. Durante quatro meses de investigação, a PF registrou 140 transações ilegais, entre vídeos e abordagens a usuários.
Apesar de apreender apenas 3,77 gramas de crack, a Justiça destacou que o volume real era maior, pois cada grama era fracionada em quatro porções vendidas a R$ 10.
Provas e ameaças
O tribunal baseou a condenação em imagens, laudos periciais e depoimentos. O grupo ameaçava moradores e funcionários públicos e chegou a furtar fios elétricos na sede da Defensoria.
A Justiça obrigou alguns réus, como André Brasil da Silva, Eliuton Pereira de Melo Junior e Jerlison Bandeira da Silva, a pagar custas processuais, enquanto isentou outros 20 com assistência da DPE.
Condenados
Entre os sentenciados estão Allan Enrique Blanco Moreno, Elyab Peixoto da Silva, Ramilson da Silva Almeida e William Benetton Natividade de Oliveira, com penas de nove a quase 16 anos de prisão, além dos dias-multa correspondentes.