Defesa de Augusto Heleno nega participação em tentativa de golpe e alega afastamento de Bolsonaro

Redação Portal Norte

A defesa do ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, falou em um distanciamento entre seu cliente e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ao final do mandato de Bolsonaro, o general  se reunia pouco com o mandatário.

O advogado Matheus Milanez apontou na sessão desta quarta-feira (3) do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em razão desta situação, Heleno nunca conversou sobre tentativa de golpe. 

“Quando o presidente Bolsonaro se aproxima dos partidos do Centrão e tem sua filiação ao PL, inicia-se sim um afastamento da cúpula do poder”, disse.

Para provar o afastamento, a defesa apresentou anotação da agenda do general. Nela, ele escreve que o ex-presidente deveria tomar a vacina contra a covid-19, ato que Bolsonaro se negou a fazer durante a pandemia. 

Milzanez também citou fala do general em que ele diz ser  “necessário fazer alguma coisa antes das eleições”, durante reunião ministerial com Bolsonaro. Segundo a defesa, a frase teria, na verdade, conotação legalista e não golpista.

“O que o general Heleno está trazendo aqui são falas até certo ponto republicanas: após as eleições não tem discussão, quem ganha a maioria dos votos leva”, 

Para o advogado, a Polícia Federal teria induzido a acusação ao erro.