Como Alexandre de Moraes se tornou peça-chave no STF contra Bolsonaro

Redação Portal Norte

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é, atualmente, relator da Ação Penal que trata sobre tentativa de golpe (AP 2668), que começa a julgar, nesta terça-feira (2), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus. 

Mas, como Moraes chegou até esta posição? 

Tudo começou em 2017, quando o ex-ministro do STF Teori Zavascki morreu em um acidente aéreo e o ex-presidente da República Michel Temer (MDB) precisou indicar um novo nome. 

Assim, o escolhido foi Moraes, à época ministro da Justiça. Até então, o ministro era visto pela esquerda como um conservador e punitivista. 

Moraes era ligado à centro-direita e ocupou cargos na Prefeitura e Governo de São Paulo, em gestões do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e do antigo Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM). 

A escolha de Moraes para a Suprema Corte se deu no auge da operação Lava Jato e juristas avaliavam que era importante Temer ter alguém de confiança no Supremo. 

Ataques virtuais

Nos dois primeiros anos de atuação, o ministro se mostrou como qualquer outro ministro, mas a chave virou em 2019, quando o então ministro do STF, Dias Toffoli, abriu uma investigação sobre ataques virtuais ao Tribunal, o Inquérito das Fake News. 

Em abril de 2020, Bolsonaro participou de uma manifestação em Brasília, em que manifestantes pediam intervenção militar, fechamento do STF e do Congresso Nacional e o Supremo, que antes não possuía apoio total em cima do Inquérito das Fake News, se uniu em apoio ao tema, rejeitando ação que pedia arquivamento. 

A investigação, relatada por Moraes, passou a ser observada como instrumento de defesa. A imagem de Moraes foi ampliada ainda mais, com outras investigações sendo agregadas ao Inquérito, como, por exemplo, a das vendas de joias do acervo presidencial por Bolsonaro e a da suposta falsificação de comprovantes de vacinação da Covid-19. 

Aí se dá a razão pela qual ele é relator no caso da tentativa de golpe. 

O ministro ainda esteve na liderança da Justiça Eleitoral nas eleições de 2022, potencializando os poderes. 

*Com informações de BBC News