Em entrevista ao Portal Norte nesta segunda-feira (1), a deputada estadual Alessandra Campêlo detalhou as ações e políticas voltadas à proteção das mulheres no Amazonas, enfatizando a importância da ampliação da rede de apoio e da efetividade das leis.
Segundo a parlamentar, um dos avanços recentes é o aumento das Delegacias da Mulher no estado, com três unidades em Manaus e outras no interior, embora ainda sejam insuficientes diante da demanda.
“Temos três em Manaus, temos algumas no interior, mas ainda é pouco. A gente precisa ampliar essa rede e a gente precisa cuidar da saúde mental dessas mulheres. Muitas vezes uma mulher não sai de um relacionamento abusivo só por questões financeiras, mas também por questões emocionais. Por estar ali presa num ciclo de violência, ela precisa também ter um acompanhamento psicossocial”, disse.
Fortalecimento da legislação
A deputada ressaltou que, para reduzir efetivamente a violência, é necessário enfrentar o machismo estrutural, incluindo a educação desde a infância.
“A prevenção tem que vir desde a escola, desde as crianças. As pessoas são educadas, a gente precisa de uma geração que pense diferente.”, afirmou.
Além disso, Alessandra Campêlo detalhou a legislação estadual voltada à proteção feminina, incluindo medidas protetivas com tornozeleira eletrônica para agressores e programas de aluguel social para mulheres que precisam deixar suas residências.
Ela também destacou o desafio de aprovar essas leis em um parlamento com baixa representatividade feminina.
“A gente vive em um parlamento, tanto no Amazonas quanto em todo o Brasil, onde nós temos poucas mulheres parlamentares. Então, eu acho que uma das barreiras que nós temos para aprovar leis que combatam a violência contra a mulher”, disse.
Habitação para vítimas
A deputada defende ainda cotas em programas habitacionais, como o Moradia Maria da Penha, garantindo prioridade às vítimas de violência.
“A gente tem no Amazonas um índice grande de famílias uniparentais dirigidas única e exclusivamente por mulheres. E no caso das mulheres vítimas de violência, a gente sempre encaminha junto com a Defensoria e com o Ministério Público, a gente entra em contato com a SUHAB e com as unidades gestoras dessa área habitacional para garantir a prioridade para aquela mulher”, explicou.
Alessandra Campêlo concluiu enfatizando que o combate à violência contra a mulher requer um conjunto de ações: prevenção, legislação eficiente, acompanhamento psicossocial e políticas públicas que promovam autonomia financeira e proteção efetiva.