A base aliada do governo no Congresso recebeu uma ordem clara: ninguém pode faltar às sessões da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga fraudes no INSS.
A determinação surgiu depois de um revés político considerado um “apagão de articulação”, quando a ausência de governistas foi decisiva para a derrota na escolha do presidente e do relator da comissão.
Na ocasião, até líderes do governo na Câmara e no Senado deixaram de comparecer. O próprio líder do PT no Congresso, Randolfe Rodrigues, admitiu que houve falhas na condução do processo, gerando desconforto entre aliados e dando espaço para a oposição avançar.
Restrições a viagens e procedimentos médicos
Para evitar novas ausências, a ordem agora é restritiva: membros fixos da CPMI não poderão se ausentar por viagens oficiais ou até mesmo para realizar procedimentos médicos eletivos.
A prioridade é garantir quórum da base governista nas votações, principalmente na análise de pedidos de convocações.
A CPMI deve durar entre três e seis meses e promete ser um palco de embates intensos. Durante esse período, cada ausência pode custar caro para o Palácio do Planalto, que já monitora os movimentos da oposição.
Oposição aumenta a pressão
A oposição prepara uma ofensiva mirando em nomes de peso, como o ministro da Previdência, Carlos Lupi, o irmão do presidente Lula e outros integrantes do governo.
O objetivo é desgastar a imagem do Planalto em meio ao avanço das investigações sobre descontos ilegais e supostas conexões de sindicatos com fraudes no INSS.
Essa estratégia mira diretamente a popularidade de Lula (PT), em um momento sensível do calendário político: a proximidade das eleições.
Governo aposta em outra narrativa
Enquanto isso, a base governista tenta virar o jogo: a estratégia é destacar que os primeiros casos de fraude começaram a ser investigados ainda em 2015, em gestões anteriores.
Além disso, aliados pretendem reforçar que foi no atual governo que denúncias ganharam corpo e que restituições já começaram a ser pagas a aposentados e pensionistas prejudicados.
Com narrativas opostas, a CPMI do INSS tende a se tornar um dos principais focos de disputa entre governo e oposição no Congresso nos próximos meses.