Uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, na qual ele considerava solicitar asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei, foi encontrada no celular do ex-mandatário durante perícia da Polícia Federal (PF).
O documento, feito em fevereiro de 2024, revela que ele planejava se asilar diante da investigação sobre a Operação Tempus Veritatis, que apura uma tentativa de golpe de Estado.
“Asilar” significa buscar proteção em outro país, geralmente porque a pessoa corre risco de sofrer perseguição política, religiosa, étnica ou de outro tipo em seu próprio país.
Leia trecho da carta de Bolsonaro
O arquivo, nomeado Carta JAIR MESSIAS BOLSONARO.docx, tem 33 páginas e traz alegações de perseguição política. Confira:
“De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos. No âmbito de tal perseguição, recentemente, fui alvo de diversas medidas cautelares”, afirma o texto.
O documento foi salvo após a deflagração da operação, em 8 de fevereiro de 2024, quando Bolsonaro teve o passaporte apreendido. Dois dias depois, ele se dirigiu à embaixada da Hungria, onde permaneceu acompanhado por dois seguranças e pelo embaixador húngaro.
No pedido de indiciamento de Bolsonaro, a Polícia Federal destacou que, mesmo se tratando de um único documento sem data ou assinatura, o teor revela que o ex-presidente “planejou atos para fugir do país, com o objetivo de impedir a aplicação de lei penal”.
O indiciamento também envolve o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Em nota, ele afirmou que sua atuação nos Estados Unidos nunca teve o objetivo de interferir em processos no Brasil, mas sim de “restabelecer as liberdades individuais no país”.
Eduardo classificou o indiciamento como “absolutamente delirante” e afirmou que vive atualmente nos Estados Unidos, protegido pela legislação local.