Rascunho de asilo a Argentina: Bolsonaro pedia urgência e dizia temer prisão iminente

Redação Portal Norte

No rascunho de pedido de asilo político à Argentina, encontrado no telefone de Jair Bolsonaro, o ex-presidente solicitava urgência na análise do pedido ao presidente argentino, Javier Milei. No texto, Bolsonaro dizia temer por sua vida e afirmava que estava na iminência de ser preso.

“Eu, Jair Messias Bolsonaro, solicito a vossa excelência asilo político na República da Argentina, em regime de urgência, por eu me encontrar na situação de perseguido político no Brasil, por temer por minha vida… estando na iminência de ter minha prisão decretada de forma injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional”, diz o documento.

A defesa de Bolsonaro afirmou que o pedido foi apenas uma sugestão recebida em fevereiro de 2024 e posteriormente descartada.

Documento digital e autoria

O rascunho, com 33 páginas, foi criado por um usuário identificado como “Fernanda Bolsonaro”, possivelmente vinculada a Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, nora do ex-presidente e esposa do senador Flávio Bolsonaro, segundo o relatório da PF.

Dois meses antes da última edição do documento, em 5 de dezembro de 2023, Bolsonaro comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que viajaria à Argentina entre 7 e 11 de dezembro.

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Página de documento em que Bolsonaro pede asilo na Argentina achado no telefone do ex-presidente – Foto: Reprodução

Indiciamento de Bolsonaro e filho por coação

Na última quarta-feira (20), a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e o filho dele, Eduardo Bolsonaro, por suspeita de coação no curso do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Segundo a investigação, ambos atuaram para pressionar ministros do STF e autoridades do Congresso Nacional, buscando interferir no processo em que Jair Bolsonaro já é réu.

O relatório da PF reuniu mensagens e áudios apagados dos celulares, revelando que Eduardo Bolsonaro buscava apoio do governo Trump para aplicar sanções contra autoridades brasileiras, especialmente Alexandre de Moraes, e orientava o pai sobre manifestações políticas de apoio ao então presidente dos EUA.

O pastor Silas Malafaia, aliado da família Bolsonaro, teve celular e passaporte apreendidos. Embora não tenha sido indiciado, a PF aponta que ele atuava como líder em campanhas de ataques digitais aos ministros do STF, semelhantes a ações de milícias digitais.

O indiciamento não significa condenação. O relatório será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá apresentar denúncia formal, solicitar novas diligências ou arquivar o caso. Caso a denúncia seja aceita pelo STF, os indiciados se tornarão réus e o processo seguirá para julgamento.